A técnica inigualável de Skratch Bastid

Eat, sleep, Skratch, repeat! Vem conhecer um pouco da caminhada dessa grande figura de habilidade impecável e carisma contagiante: Skratch Bastid!

Hoje estamos aqui pra falar de Paul Murphy (nascido em 2 de setembro de 1982), mais conhecido por Skratch Bastid, um DJ e produtor musical canadense.

Crescido em Halifax, Nova Escócia, ele comenta em uma entrevista para o Road Podcast que a cena local era muito boa e, mesmo sendo uma cidade um pouco isolada, tinha bastante coisa rolando.

Seus primeiros contatos com o Hip-Hop foi ouvindo Method Man e Wu-Tang Clan. Depois de um tempo acabou conhecendo Buck65 e Sixtoo, da gravadora independente Anticon Records, e foram eles que apresentaram um campeonato chamado Scribble Jam, onde acabaria sendo tricampeão anos depois.

Em 2000, Paul ficou em terceiro em uma batalha local chamada DJ Olympics e logo no ano seguinte fez sua primeira participação no Scribble, com uma rotina que o tornaria conhecido na cena (mesmo que o chamassem de Star Wars DJ kkkk). Veja todas as rotinas desse ano no vídeo abaixo:

Skratch Bastid x Kico

Foi somente em 2003 que ele conquistou seu primeiro título contra DJ Squint, em uma final bem engraçada. Dá um confere como foi no vídeo a seguir:

Skratch Bastid x Squint

Os títulos no Scribble Jam ainda vieram a se repetir em 2004 e 2007, escancarando o verdadeiro “bastardo” dos scratches que conhecemos.

Nessa mesma época, em 2005, Paul soltou um álbum colaborativo com John Smith and Pip Skid entitulado “Taking Care of Business”. O trampo saiu pela sua própria gravadora chamada First Things First Records.

Taking Care of Business – I Ain’t Lazy

Ele foi o primeiro DJ canadense a ser nomeado para o prêmio Juno de produtor do ano em 2008, quando participou nas produções do álbum Situation de Buck 65.

Buck 65 – Situation

Em 2010, Skratch criou sua própria festa chamada “Bastid’s BBQ”, que rola em várias cidades anualmente com o encontro de diversas personalidades do mundo. Quem aqui lembra de quando o DJ Nyack e Fabio Lafa estavam no meio dessa galera em 2019? Tá com o Wi-fi ligado? Porque essa foto a seguir vai pesar aí!

Bastid’s BBQ 2019

No ano de 2016, Skratch entrou em um projeto colaborativo com o Afiara String Quartet. Nasceu daí o álbum instrumental Spin Cycle, que o rendeu mais uma nomeação ao Juno, dessa vez para álbum instrumental do ano. Em uma apresentação pelo TEDX podemos ver o resultado final dessa fusão nada cotidiana:

Spin Cycle – Skratch Bastid e Afiara String Quartet

O cara é dono de uma técnica inigualável. O seu DJ favorito com certeza já assistiu um set desse monstro impressionado com o que ele faz. Sua seleção de música, técnica e domínio de scratches e seu carisma são mundialmente conhecidos e tivemos a oportunidade de ver isso de perto, em duas ocasiões, durante a turnê dessa figura, passando por alguns estados do Brasil. Na terra da garoa, ele passou pela Joint e pela Discopédia.

Vou deixar aqui um set gravado de Taipei, Taiwan, que pra mim mostra todas as qualidades citadas acima. O cara bota a casa abaixo com sua técnica!

Skratch Bastid – Red Bull 3Style – Taipei, Taiwan

Nossos DJs e parceiros Nobru Izru e DZ, acompanharam o set do Skratch Bastid tanto pela Joint, quanto pela Discopédia e comentaram sobre:

Depoimento DJ Nobru Izru

Esses dois dias foram extremamente importantes para mim. Nós colamos na Joint já esperando o que víamos nos vídeos pela internet e o cara surpreende ainda mais. Sentir a energia que o Skratch transmite quando está no comando dos toca discos é incrível. Toca fácil enquanto sorri e canta cada letra do seu set. Entre muitos beat jugglins e scratches, Paul deixou geral de queixo caído.

Ali na frente do palco era só DJ admirando a verdadeira aula durante as 2 horas de set. E nem a chuva foi capaz de atrapalhar! Skratch mostrou o porquê é um dos DJs mais completos. Uma parte que me marcou foi ver a rotina com a música “Come Down”, do Anderson Paak. Entre colagens com as frases “don’t I make it look easy” e “don’t I make look good”, eu só sabia afirmar SIM. Já tinha visto que ele tinha feito essa durante a turnê pelo Brasil e ansiava demais que rolasse aqui também. QUE AULA!

Skratch Bastid na Joint/ Foto: @framenatalia

Se não me engano logo no dia seguinte saiu o flyer da Discopédia anunciando que, além de ser especial De La Soul e A Tribe Called Quest, o brabo ia ser o convidado especial da noite. Já na fila deu pra ver como estava a ansiedade da galera. A porta abre às 19h e já tinha uma fila bem grande de fãs afim de ver mais uma apresentação desse monstrinho em São Paulo.

Foi notório que Skratch se sentiu diferente dessa vez. Festa clássica de São Paulo, ali é um culto à cultura Hip-Hop e do vinil. Apesar de tocar com discos emprestados, o DJ foi seguro em sua apresentação. Mais uma vez a história se repete, vemos geral de boca aberta sem crer no que estavam vendo. Até nossos professores aqui do Brasil estavam ali pra tietar e prestigiar tamanha técnica. Paul mostra total tranquilidade, assim como fez com o Serato. Não tinha uma pessoa que não estava com os olhares direcionados pro DJ sem nem piscar. Em diversos momentos a emoção batia no teto. Uma coisa que me pegou foi o ver fazendo scratch no vinil e, quando pulava, voltava tão rápido pro tempo que se você não prestasse atenção nem perceberia.

Presenciar o Skratch fazer o que mais gosta é um presente. É fácil dizer que pra ele também foi um prazer. Espero poder revê-lo em breve aqui no Brasa ou até mesmo em algum lugar desse mundão!

Depoimento DJ DZ

É até difícil comentar sobre o que vi. Uma coisa é assistir ele pela internet, pessoalmente é outra fita! Vi DJs brasileiros que admiro se emocionando assistindo-o (eu fui um desses)!

Tive a oportunidade de assisti-lo duas vezes. Uma no evento da Joint e outra no Discopédia. Na Joint, tocando com Serato, ele começou bem à vontade, arregaçando nos scratches logo de cara. Tiveram vários momentos desse set que me chamaram a atenção, mas destaco dois. O primeiro foi quando ele fez B2B em “Oh My God” do ATCQ e o segundo foi quando ele fez scratch com o nome do produtor Swizz Beats, virando somente músicas produzidas por ele. Aquilo foi literalmente uma aula.

Quando saiu o flyer de que ele tocaria na Discopédia, surgiu a dúvida de muita gente: será que ele vai tocar de vinil? A resposta veio em um story do DJ Nyack , onde Bastid estava fazendo um diggin’ em sua casa e a legenda foi mais ou menos assim: “Ele só escolheu disco foda!”. É, o homem não estava de brincadeira! Imagina o cara vir de outro país, tocar para pessoas que falam outra língua e com o discos de outro DJ? É muita coragem e confiança!

DJ Nyack, Skratch Bastid, DJ Marco, DJ DanDan na Discopédia / Foto: @pknmarques_

Bom, vê-lo na Joint foi muito foda, mas na Discopédia teve um gostinho diferente. O role é o templo sagrado da cultura Hip-Hop. Além de DJs, estavam os dançarinos, MCs e grafiteiros. A cultura Hip-Hop estava em peso naquela noite de terça-feira. Parecia que estávamos nas festas do Kool Herc lá nos anos 70. Inclusive o próprio Bastid fez um discurso, dizendo que fazia tempo que não via uma festa de Hip-Hop como aquela. O momento mais marcante pra mim, foi quando ele soltou “Definition” do Black Star, fazendo um scratch longo na voz do Mos Def (segunda parte da música) e voltando a música do início (fazendo um “rewind selecta”). O público foi à loucura!

Ele estava tão em transe tocando, que no final do set, pediu para virar mais duas músicas, antes de começar o especial ATCQ e De La Soul. Ele fazendo sinal de 2 com os dedos e o Fernando acenando um “ok” com a cabeça, foi muito bonito e engraçado de ver.

Além da técnica e musicalidade do Skratch Bastid, tem a questão da energia. Ele toca totalmente conectado com o público. Cantando as músicas, dançando, vibrando e olhando no olho das pessoas. Bastid, a música e o público se tornam uma energia só no set!

Texto por DJ Nobru Izru e DJ DZ

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