ANTCONSTANTINO no Incógnita Lab / Foto: Isabela Rosa

De Peão pelo Incógnita Lab

Como o bar Incógnita Lab tem se tornado um local que movimenta a cena da música alternativa na capital mineira

Desde o início da pandemia de Covid-19 eu não saía de casa para explorar um rolê diferente, e quando falo explorar, é abordar um novo tipo de evento, com uma proposta nova, diversa e chamativa. O Incógnita Lab, bar e cervejaria localizada na Avenida do Contorno, 8412, da capital mineira Belo Horizonte, foi uma das melhores descobertas no circuito de lugares com abordagens originais em BH, oferecendo uma alternativa para quem procura um evento de música com cervejas artesanais em um espaço diversificado e autêntico.

No dia 25 de setembro, após a flexibilização municipal que permitiu o consumo e a retirada nos bares até a 1h da manhã, o Incógnita Lab trouxe ANTCONSTANTINO, produtor e DJ de Duque de Caxias (RJ). Presença constante na cena do Grime Brasileiro, o autoproclamado “embaixador do Bandcamp no Brasil” tocou um set diversificado passando pelo House, Funk, Eletrônico, Grime e Drill.

Para saber mais sobre como o Incógnita tem trazido e movimentado uma cena cultural voltada para a música alternativa em Belo Horizonte, troquei uma ideia com o Thiago Silveira, cabeça por trás do Incógnita que explicou a configuração do bar, e como se dá o contato com os artistas escolhidos para se apresentarem.

Foto: Divulgação

Kalamidade: Quando você resolveu abrir o Incógnita, e por quê?

Thiago Silveira: Segundo semestre de 2018. Tinha alguns colegas interessados em abrir um bar, e eles fizeram a proposta de se unir à Incógnita, que já tinha a marca minimamente consolidada no mercado cervejeiro de BH (a cervejaria já existia desde 2017). Assim surgiu o Incógnita Lab, que inicialmente seria um brewpub com produção própria de cerveja no local, que acabou não sendo possível por limitações de espaço.

K: A localização e o espaço foram propositais?

TS: O local já estava definido pelos novos sócios que entraram no projeto, uma vez que o imóvel pertencia à família de um deles. Abrir um bar em cima de uma trincheira foi uma aposta e um grande desafio, pois a região não era muito convidativa nem tinha tanta visibilidade (apesar de ser na Contorno), pois o trânsito de pedestres naquela área é baixo. Por outro lado, a área externa do bar se tornou um local confortável para o público por ter pouco trânsito de carros. Por esses motivos, tivemos bastante dificuldade para nos estabelecer e conquistar público, o que nos obrigou a buscar atrações que aceleram esse processo.

K: Quando foi aberto de fato o bar?

TS: 8 de dezembro de 2018. Fizemos um festival aberto, na rua, para comemorar a inauguração do espaço e o aniversário de um ano da Incógnita Companhia Cervejeira.

K: Qual a sua proposta com o bar e o público que você quer atrair?

Logo do bar Incógnita Lab

TS: Inicialmente a ideia era que o Incógnita Lab fosse um brewpub mais voltado ao público cervejeiro, mas que atraísse um público “leigo” e o “educasse” para as cervejas especiais. Porém nosso conceito fora do padrão dos bares cervejeiros da cidade e nossa proposta de diversidade musical no ambiente, acabou afastando o público cervejeiro geek e nos aproximando do público geral, o que estava completamente fora dos nossos planos. Sendo assim, resolvemos trocar a estratégia e mudar o público-alvo. Hoje, acreditamos que temos um público muito mais fiel do que teríamos sendo um bar voltado ao público cervejeiro; e esse público tem se atraído e aprendido cada vez mais sobre cervejas especiais, o que é benéfico para o mercado cervejeiro em geral.

K: Como se dá o contato com artistas de fora para tocarem no bar, e como eles são escolhidos?

TS: Nosso foco sempre foi apoiar a produção cultural independente da nossa cidade, mas também já tivemos apresentações de alguns artistas de fora de BH. Alguns já nos procuraram, outros foram indicados por artistas daqui, outros fomos nós mesmos que entramos em contato virtualmente. Os artistas são escolhidos conforme nossa curadoria interna, gosto pessoal, relevância e demanda do público.

K: Você visa trazer mais artistas de fora?

TS: Sempre. É muito gratificante poder trazer atrações exclusivas para o nosso público, além de atrair mais público para o Lab. Contudo, somos uma casa que não cobra bilheteria, e além de não termos nem estrutura para isso, temos interesse em continuar oferecendo acesso gratuito a estas atrações. Isso é um grande limitador, pois o custo de trazer artistas de fora é muito maior, e o bar arca com todas essas despesas.

K: O que sentiu com o set do ANTCONSTANTINO?

TS: Foi um dos momentos mais incríveis não somente dos quase 3 anos de história do Incógnita Lab, mas de toda a minha carreira profissional. Sou um grande fã do trabalho do ANTCONSTANTINO, e foi um prazer enorme poder produzir algo ao lado dele e ver tanta gente vibrar de alegria dentro da minha casa. Aprendi a ser produtor de eventos por força da ocasião, e presenciar um evento tão bem sucedido, apesar de todas as nossas limitações, me proporcionou imensa felicidade e sensação de dever cumprido. Estou certo de que foi um dos rolês que ficarão guardados na memória do pessoal de BH por muito tempo.

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