20 artistas indígenas que fortalecem a música contemporânea – Parte 1

A primeira parte de uma lista reunindo artistas indígenas que decolonizam e fortalecem a música contemporânea com seus trabalhos, falas e visões

A cada dia vemos aumentar esforços da agenda governamental, de órgãos econômicos, sociais e ambientais na busca por apagar a história e a presença dos povos indígenas no território nacional. No dia 09 de agosto foi comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, e pensando na importância desta data, e do mês de agosto, junto à necessidade de fortalecer e incentivar a visibilidade acerca dos povos indígenas em todas as esferas, trazemos hoje um conteúdo especial.

Dia Internacional dos Povos Indígenas

No dia 09 de agosto de 1995, buscando garantir autodeterminação e os direitos humanos às diversas etnias indígenas do planeta, a Organização das Nações Unidas estabeleceu o Dia Internacional dos Povos Indígenas. A data foi criada como resultado da atuação de representantes de povos indígenas, visando criar condições para a interrupção dos ataques sofridos em seus territórios.

A publicação dessa declaração foi um avanço e um apoio à resistência econômica, política, religiosa e cultural que as diversas etnias indígenas ainda mantêm. No caso brasileiro, é um importante apoio aos cerca de 890 mil indígenas que habitam o território nacional, divididos em mais 375 povos originários, falando 274 línguas. Isso sem contar aqueles indígenas que, por alguma problemática política, social, de apagamento histórico e etnocídio, não entram nos censos e estatísticas por não terem suas declarações validadas, ou por se reconhecerem ou autodeclararem não indígenas.

Brasil Território Indígena

São povos que vivem em territórios hoje sob intensa pressão de invasores, madeireiros, caçadores e garimpeiros, processo agravado durante o governo de Jair Bolsonaro, quando todos os índices de desmatamento aumentaram na Amazônia, culminando na possível extinção de determinados povos isolados. Jair Bolsonaro é o primeiro presidente brasileiro nos últimos 35 anos a não instituir nem uma só terra indígena ou reserva ecológica. Não demarcou um só centímetro desde sua posse. Essa decisão prejudica diretamente os povos originários, incentiva a invasão de terras por parte de não índios e inclusive atrapalha o combate ao desmatamento e ao aquecimento global.

Está em curso também o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da chamada tese do Marco Temporal, interpretação inconstitucional defendida por aqueles que têm interesse nos territórios tradicionais, que afirma que os povos indígenas só têm direito à terra se estivessem sobre sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

A tese desconsidera toda a história de violência e expropriação nesses mais de 500 anos de invasão dos territórios ancestrais, e ignora o fato de que muitos povos indígenas não conseguiram voltar às suas terras tradicionais antes desta data, por não terem seus direitos territoriais reconhecidos pelo Estado brasileiro. A maior mobilização indígena da história está reunindo (até a data desta publicação) mais de 6.000 lideranças em Brasília, são mais de 176 povos presentes na capital Federal que aguardam a decisão do STF.

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Foto: Scarlett Rocha / Apib Oficial

Além da tese do Marco Temporal diversas propostas legislativas buscam restringir os direitos dos povos originários:

  • O PL 191/2020, de autoria do governo Bolsonaro, libera a mineração, a geração hidrelétrica, a exploração de petróleo e gás e a agricultura em larga escala nas terras indígenas;
  • Os PLs 2633/2020 e 510/2021 ampliam as áreas passíveis de regularização como propriedade privada abrindo caminho para a legalização de áreas griladas. Além disso, o PL 510 pretende alterar a data limite para que invasões de terras públicas sejam legalizadas, passando o prazo de 2011 para 2014;
  • O PL 3729/2004, que agora tramita no Senado com o número 2159/2021, desmonta o licenciamento ambiental isentando 13 tipos de atividades e permitindo o “autolicenciamento” para uma série de projetos;
  • O Projeto de Decreto Legislativo 177/2021, pretende retirar o Brasil da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, principal instrumento de direito internacional para a proteção dos direitos indígenas, que garante o direito à Consulta Livre, Prévia e Informada sobre projetos que afetem suas vidas, direitos e territórios.

O Não-Lugar

Nenhuma descrição de foto disponível.
Arte: AUÁ

Neste cenário é cada vez mais essencial a divulgação de conteúdos, falas e trabalhos que tratem com propriedade do contexto da luta dos povos originários, como o projeto O Não-Lugar.

O Não-Lugar é uma rede que conecta narrativas indígenas em retomada, manifestadas em diversas linguagens, que se faz presente, principalmente, como uma ferramenta de apoio, comunicação e visibilidade aos povos indígenas, suas lutas, conquistas e violências acometidas diariamente.

A colonização hierarquizou nossa relação com o planeta, instaurando uma ‘ordem’ e ‘progresso’, que para avançar, passa sobre quantos corpos, culturas e árvores forem necessários. Para tal também, ela garante a nossa alienação com doutrinas vazias que nos fazem acreditar que a natureza é algo separado de nós e que o bem-estar humano é conquistado com trabalho e bens materiais. O abismo entre Terra e capital é o Não-Lugar que precisamos desocupar. Esses povos fazem parte desses territórios há milhares de anos sem destruí-lo. Preservar a humanidade é preservar a natureza.

O Não-Lugar

Dentre os seus vários conteúdos, O Não-Lugar apresenta também um podcast, trazendo convidados que compartilham suas experiências, saberes e perspectivas sobre o mundo e o processo de retomada indígena.

Música Indígena Contemporânea

Pensando na atuação dos povos indígenas como povos do presente, que continuam produzindo e ecoando músicas no contemporâneo, a Diretora Audiovisual do projeto O Não-Lugar, Isa Hansen, montou a playlist “Música Indígena Contemporânea”, uma lista muito poderosa pra reflorestar nossas referências sonoras.

Tudo que acontece no Brasil precisa ser visto considerando o território em que vivemos. Os povos originários estão aqui antes da invenção “Brasil”, sempre estiveram aqui, já eram milhões antes da chegada dos colonizadores, sendo assim, tudo que nasce nesse território passa por esse atravessamento, inclusive a arte e o Hip-Hop nacional. O meio da arte tem muito para ser decolonizado. E a existência de artistas que estão decolonizando a música precisa ser destacada. O Hip-Hop precisa olhar para essa realidade, os originários precisam ser ouvidos, toda essa cultura indígena está muito presente em tudo no nosso país. A cultura Hip-Hop precisa inserir a pauta indígena enquanto movimento antirracista, enquanto movimento da margem. A nossa música é, também, indígena. Precisamos entender, reconhecer e respeitar os povos originários como base e semente, também, para nossa cultura e para nossa música.

Isa Hansen – Diretora Audiovisual do projeto O Não-Lugar

Se liga nessa importante playlist:

A música, como um rezo, como essa grande conexão com nosso espírito, é a última memória que perdemos na vida. Que memórias musicais estamos cultivando? Entendam, as pessoas indígenas estão em todos os espaços, cantando Funk, Sertanejo, Trap, música eletrônica e tudo que couber nessa lista!

O Não-Lugar

Inspirados pelo projeto, montamos a partir dessa playlist uma lista reunindo 20 nomes de artistas indígenas que decolonizam e fortalecem a música contemporânea com seus trabalhos, falas e visões, e que precisam ter a sua arte mais reconhecida e compartilhada.

Wescritor

Weslley Amaral dos Santos, artisticamente conhecido como Wescritor, é um tupinambá na Baixada Santista.

O rapper aborda pautas indígenas e reverbera ancestralidade nas rimas, transitando entre letras de resistência, reflexivas, sobre amor e sentimentos.

O artista se jogou no mundo da música em 2019 e desde então, além de singles, coleciona trabalhos como os EPs “Corpos Laranjas” e “Dela”, e as Mixtapes “T.R.A.P” e “Comunicação”.

Wescritor também faz parte do grupo Somos O que Somos, formado por três artistas independentes que se uniram e encontraram sua própria levada no meio do rap e da música.

Edivan Fulni-ô

Edivan Fulni-ô é um artista indígena, cantor e compositor do povo Fulni-ô de Pernambuco, que nasceu em Salvador e cresceu junto ao povo Pataxó Hãhãhãe no sul da Bahia.

Tanto a história pessoal como a performance do artista são parte da memória viva da histórica união entre povos indígenas e afrodiaspóricos nos territórios chamados Brasil.

Em suas canções, promove a quebra de estereótipos sobre essas figuras históricas, em uma visão de mundo cantada a partir da perspectiva indígena e da florestania (a floresta como sujeito).

Além disso, mergulha em questões humanas universais, como o amor, a amizade, os sonhos, as relações.

Kunumi MC

Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, rapper solo indígena, escritor de literatura nativa e ativista que luta pela causa e direitos do seu povo.

Como escritor  já tem dois livros publicados: “Kunumi Guarani” e “Conto dos Curumins Guarani”, em coautoria com o irmão Tupã Mirin.

Já como rapper, além do EP “My Blood is Red” de 2017, ele também lançou o disco “Todo Dia É Dia de Índio”, em 2018, além de diversos singles como  “Terra Ar Mar – Demarcação Já”, em parceria com o Criolo, “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)”, “Moradia de Deus” e “Força de Tupã”, em parceria com o artista colombiano Lozk.

Souto MC

Foto: Isa Hansen

Nascida na Zona Leste de São Paulo, Caroline Souto mais conhecida como Souto MC teve seu primeiro contato com a cultura Hip Hop em Itaquaquecetuba, onde cresceu.

Desde seu primeiro single em 2014, Souto abriu seu próprio caminho no Rap paulistano levando de forma independente o empoderamento, característica constante de seu trabalho autoral.

Após o lançamento do single “PsicoSouto”, suas letras e seu flow inconfundível chamaram atenção. Em 2018, ganhou o prêmio Sabotage como “Melhor MC” na cidade de São Paulo. Gravou com Emicida a música “Selvagem”. Foi a primeira artista do projeto “Escute as Minas” do Spotify BR, e tem feats de peso na carreira, com nomes como Rodrigo Ogi, Stefanie e Cris SNJ.

Souto MC foi uma das 50 artistas selecionadas no edital Natura Musical, lançando seu primeiro disco da carreira, “Ritual”, onde fala sobre o resgate de sua ancestralidade indígena.

Com o desenvolvimento artístico da MC, questões mais intimistas passaram a ficar cada vez mais presentes em sua arte. Em “Ressurreição”, ela já deixava evidente sua ascendência indígena e a importância de retomá-la, já que foi criada no maior centro urbano do Brasil, um tanto afastada de sua ancestralidade.

Esse processo de resgate é algo que vai durar a minha vida inteira, são vários aprendizados que estou tendo e eles não terminam. É um processo bem dolorido,

Souto em entrevista ao Raplogia.

Souto é uma mulher indígena que está se conectando com sua herança e aprendendo não só com os índios Kariri (povo do pai), mas também com outras populações indígenas que vivem pelo país.

Kaê Guajajara

Kaê é uma indígena do povo Guajajara, cantora, compositora, atriz, autora e ativista indígena brasileira.

Cresceu no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, tendo deixado o Maranhão aos sete anos porque as condições de vida não eram boas.

Vim de uma aldeia não demarcada, onde o conflito com os madeireiros era constante.

Lá, ela fundou um grupo de rap “Crônicos”, que denunciava nas letras as violências vividas na comunidade. Ao seguir carreira solo, pensou em fugir das questões indígenas em seu trabalho, mas logo percebeu que sua arte poderia fazer alguma diferença.

Foi quando comecei a pensar e escrever sobre todas as violências sofri como mulher indígena no contexto urbano.

Kaê é fundadora do Coletivo Azuruhu e autora do livro “Descomplicando com Kaê Guajajara – O que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista”.

Unindo hip-hop, instrumentos tradicionais e elementos de sua língua materna Ze’egete (“a fala boa”), Kaê faz música sobre a realidade dos povos indígenas urbanizados e o apagamento das identidades indígenas.

Seu primeiro EP foi “Hapohu” lançado em 2019, tecendo uma linha entre ancestralidade e futurismo indígena. Em 2020 lançou dois EPs, “Uzaw” e “Wiramiri”.

Nelson-D

Em 1986, um bebê indígena foi encontrado em uma rua na cidade de Manaus no estado do Amazonas. Ele viveu em um orfanato por oito meses, até um casal de italianos levá-lo para um lar.

Batizado de Davide De Merra, o manauara tornou-se cidadão italiano, cresceu em Savona e cursou Artes Plásticas em Milão, mas escolheu São Paulo para difundir seu trabalho de músico e produtor musical.

Chamado de Davide a vida toda, o italiano-brasileiro viu que o trabalho como músico merecia um nome artístico mais atrativo, voltando às origens como Nelson-D, uma referência ao seu nome na época do orfanato.

Como um estrangeiro em sua própria terra, em uma veste psíquica alienígena indígena, sua música é uma invocação de retorno ao seu ‘corpo território ancestral’, um chamado para seu povo cujo o nome foi apagado.

Como produtor desde 2010 se dedica à produção musical de novos e novas artistas na cena musical brasileira, como Danna Lisboa, Gloria Groove, Linn da Quebrada, Tássia Reis, e muito mais.

Brisa Flow

Brisa de la Cordillera é o nome completo da artista indígena Brisa Flow. MC da cultura Hip-Hop e filha de artesãos araucanos, Brisa é pesquisadora e defende a música indígena.

Criada em Minas Gerais, ela teve influências, desde criança, da música e cultura dos povos andinos, através dos seus pais.

Brisa iniciou sua carreira musical em Belo Horizonte, frequentando batalhas de Rap. Sua música traz mensagens sobre a sua vivência enquanto mulher indígena periférica na América Latina.

Brisa fez licenciatura em música, onde decidiu se especializar na área de arte-educação, que ela defende como uma ferramenta contra o epistemicídio.

Epistemicídio é um termo utilizado para se referir a questões como o apagamento, a desvalorização e/ou negação de culturas e saberes ancestrais.

Wera MC

MC Wera é o rapper que canta pelas causas indígenas de demarcação de terras. Canta para seu povo, pelos antepassados, pelas várias etnias que sofrem o mesmo problema de terra e etnocídio, e principalmente para a conscientização dos brancos e não-indígenas.

O Rap em guarani traz em suas letras experiências vivenciadas pelo povo do rapper, bem como tons de resistência, respeito, justiça, história e representatividade.

Já são 10 anos trazendo a luta dos 700 indígenas que habitam os 1,7 hectares demarcados no Pico do Jaraguá, na zona norte de SP. Uma terra, aliás, que traz em seu nome a quem pertence: os Guarani Mbya.

Cria da aldeia Tekoa Pyau, Wera aprendeu desde cedo a importância de preservar os costumes Guarani, mesmo com a cultura do não-indígena batendo em sua porta a todo instante.

Katú Mirim

Foto: Rayssa Oliveira

Indígena do povo Boe Bororo, Katú é rapper, cantora, compositora, atriz, ativista e fundadora do coletivo Tibira.

Suas letras discutem pela óptica indígena a demarcação de terras, o resgate da ancestralidade, o indígena no contexto urbano, o uso indiscriminado de sua cultura e a forma como é tratado no Brasil, em especial o grupo indígena LGBTQIA+ no Brasil.

Katú iniciou sua carreira musical em 2017 com o single “Aguyjevete”. Foi durante a adolescência, o primeiro contato da artista com o Rap, com batalhas de MCs e com o breakdance, e não demorou muito para que o aspecto libertador do Hip-Hop também a motivasse a retratar a própria realidade por meio da música.

Meu rap, minha arte, fala sobre nossa resistência e existência,

Katú em entrevista ao Reverb.

Kandú Puri

O rapper Kandú Puri é um indígena do Rio de Janeiro que vive em contexto urbano, assim como um total de 40% de indígenas no Brasil.

Aos 25 anos, ele já viveu em diferentes lugares da Zona Norte carioca, mas foi nas suas passagens pelo Morro da Providência e Complexo da Maré que ampliou seu contato com os movimentos de poesia marginal, poesia de rua, slam e rodas culturais.

Kandú lançou o seu primeiro EP com músicas no idioma puri e em português. O trabalho chegou ao mundo pelo selo musical independente Azuruhu, o primeiro comandado e feito para indígenas no Brasil.

O EP “Krim” traz rimas de protesto que relatam um presente de fúria e o passado de glória dos povos originários.

Siba Carvalho

Indígena da etnia Puri, Siba Carvalho é uma artista que esbanja talento. Pernambucana, atualmente é arte educadora no Museu do Frevo, cantora e percussionista.

Ingressou na música ainda na infância, no Maracatu em Olinda. Em 2018 foi convidada a focar em seu trabalho autoral, onde fala sobre sua essência.

Aprendeu desde cedo sobre espiritualidade, cuidados com a terra, e toda sua ancestralidade indígena com sua avó. Através da arte, Siba externaliza todos seus princípios, com um trabalho voltado para questões espirituais, luta indígena, meio ambiente, e militância LGBTQIA+.

Sua música é muito pautada pela reivindicação, de tomada de território, de exaltação de legados.

Suraras Do Tapajós

Primeiro grupo de Carimbó do Oeste do Pará composto somente por mulheres e o único do Brasil composto somente por mulheres indígenas, Suraras do Tapajós é um coletivo de mulheres indígenas, entre várias etnias, situado em Alter do Chão (Santarém/PA), bem no coração da Amazônia, região do baixo Tapajós.

O coletivo existe com a missão e responsabilidade de contribuir e lutar pelo combate contra a violência e racismo, para o empoderamento de mulheres indígenas em sua autoestima e na defesa de seus territórios, além de tocar músicas indígenas explorando o ritmo maravilhoso chamado Carimbó.

O grupo tornou-se uma valiosa ferramenta para dar voz às mulheres indígenas, alcançando espaços mais difíceis de acessar e passando a mensagem através da música. Além do tradicional Carimbó de artistas paraenses consagrados, as Suraras também apresentam músicas autorais no mesmo ritmo além de composições em Nhengatu – língua geral falada pelos povos do Baixo Tapajós.

Isaac de Salú

Isaac de Salú é um artista, produtor, MC, ator e slammer de Itapevi, zona oeste de São Paulo.

Atuante na cultura desde 2011, ele é fundador da 7Cort, canal que trabalha com estilos que alternam entre R&B, Pop e Rap, além de fazer parte do grupo de poetas e slammers Coletivo Emancipado.

Catártico, versátil, conceitual, melancólico, indígena e meditativo como uma mantra de emoções no palco das muitas faces do ego humano, entram em estado de transe os personagens de suas letras.

Passeia por gêneros musicais diversificados como Trap, Indie, Rap e Funk, levando seu ouvinte para um universo pessoal, manipulando sua poesia lírica ponto forte de seu trabalho.

Com produções experimentais suas musicas se tornam uma experiência única para os ouvintes.

MC Anarandá

Randa Kunã Poty Rory, de 24 anos, da etnia Guarani-Kaiowá, é o nome da primeira rapper indígena da etnia Guarani, Ana Lúcia ou Anarandá Guarani, como é conhecida.

Decidi ser cantora, porque quero transmitir ao mundo sobre minha cultura, sobre a realidade do meu povo Guarani-Kaiowá.

MC Anarandá, a jovem Guarani-Kaiowá canta para denunciar a violência contra as mulheres e os povos indígenas.

Para mim, ser rapper é falar da sua cultura e da sua realidade. O rapper é realista, transmite uma reflexão. Por isso eu resolvi ser cantora na cultura Hip-Hop, justamente para trazer a realidade do povo Guarani-Kaiowá, principalmente, das mulheres, porque elas são bem pouco ouvidas na minha comunidade.

Djuena Tikuna

Djuena Tikuna, nasceu na Aldeia Umariaçu II, no município de Tabatinga (AM) em 1984, é uma cantora indígena e a primeira jornalista indígena Tikuna formada no Estado do Amazonas.

Fez história em 2017 ao tornar-se a primeira indígena a protagonizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas (Manaus), nos 121 anos de existência do local, onde lançou o álbum “Tchautchiüãne”.

Realizou também a primeira “Mostra de Música Indígena – WIYAE” do seu Estado. Todas as suas composições estão em tikuna, nome do povo e da língua dos indígenas que habitam a zona fronteiriça entre o Brasil, a Colômbia e o Peru.

Em 2018, foi a primeira artista oriunda da Amazónia brasileira a ser nomeada para o Indigenous Music Awards, na categoria de Melhor Artista Indígena Internacional, pelo álbum “Tchautchiüãne”. O prêmio pretende distinguir artistas indígenas de todo o mundo e realiza-se anualmente na cidade de Winnipeg, no Canadá.

Oz Guarani

Oz Guarani é uma dupla de Rap indígena formada pelos jovens guerreiros Guarani Mbya, residentes da Terra Indígena Jaraguá, na cidade de São Paulo, Jefersom Xondaro e Mirindju Glowers.

A dupla interpreta canções de resistência e de fortalecimento da luta indígena por seus direitos, por meio do Rap e da cultura Hip-Hop.

Existe histórias dos povos Indígenas sem o Brasil
Mas não existe história do Brasil sem os povos Indígenas

Jefersom Xondaro

Representam, por meio da música, a luta do seu povo, relatando os problemas diários sofridos na comunidade, além de narrar o histórico conflito pela demarcação das terras e a resistência indígena.

Brô Mc’s

O mais antigo grupo de Rap indígena do país, o Brô Mc’s carrega consigo a força da fala, Nhe’e, um misto de músicas tradicionais indígenas com a batida pulsante do Rap, que atravessa mais uma fronteira, e traz consigo dessa vez, toda a força da cultura indígena Guarani-Kaiowá.

O trabalho se materializa através de rimas e cantos na língua nativa, mas também em Português. Línguas que aproximam o grupo de outros lugares, de outros olhares, de outros seres que outrora estavam distantes, mas pelo poder atraente da música, se fazem mais perto.

Um misto de luta e arte, de existir e resistir, mas principalmente progredir. Formado por jovens indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó – Reserva Indígena Francisco Horta Barbosa, os artistas se reuniram no intuito de promover ideias, conquistar espaço e pontuar inúmeras situações que permeiam o cotidiano indígena em Dourados, potencializando a representatividade das etnias e culturas indígenas de todo o Brasil.

Lucas Kariri

Lucas Kariri é indígena do povo Xukuru-Kariri, Artista Musical, Multi-instrumentista e Compositor.

“Banho de Arruda Virtual” é o nome do primeiro projeto autoral do artista Lucas Kariri como compositor e multi-instrumentista, apresentando uma narrativa onde os paradigmas entre espiritual e o social se referem num conflito entre as relações virtuais e orgânicas, num mix entre raiz e contemporaneidade.

O single é o primeiro do álbum “Cura”, disco que contém sete canções com composições, letras, vozes, instrumentos, arranjos, bases e solos elaborados pelo músico.

A obra traz reflexões e compreensões sobre a cura tanto em seus diversos significados instintos como em seus inúmeros mistérios espirituais, representados e vivos na música indígena contemporânea e imersos num cenário de contexto urbano.

Ian Wapichana

Dizem no Rap que nós chegamos com os dois pés na porta. A gente veio com o corpo inteiro, com a alma, com o espírito, com amor e com verdade.

Assim Ian Wapichana, poeta, cantor, compositor e músico da etnia Wapichana define a sua relação com a arte.

De Boa Vista, em Roraima, onde nasceu e foi criado, o artista mudou-se para o Santuário dos Pajés, única reserva indígena do Distrito Federal.

Descendente de uma família de compositores, escritores e poetas, Ian descobriu-se também artista tocando nas ruas de Brasília.

Hoje tem na ancestralidade o fio condutor para as mensagens de paz e resistência que transmite por meio de músicas como “A Viagem”, lançada em 2020 em dupla com o artista indígena Wescritor Tupinambá.

Crio o que eu chamo de nova MPB. Nos últimos dois anos, principalmente, iniciativas como a Rádio Yandê, perfis no Instagram e canais no YouTube têm ajudado a divulgar os trabalhos dos artistas. É uma retomada para nós que nunca tivemos visibilidade.

Duo Eu e Ela

O Duo Eu e Ela é composto por Noemi Carvalho e Cris Mello.

Com tambores que ecoam a sua ancestralidade indígena e preta, o Duo tem o amor como a base da vida, do trabalho, da esperança – de todos os passos. Amor é resposta, é água que rega as sementes e corações que são tocados pelo som do Duo.

Rompendo com as correntes desse sistema colonial- opressor e utilizando a música como ferramenta, o Duo afirma sua existência, conta sua própria história e expressa nossa luta pela transformação social.

A arte do Duo respeita o lugar de onde vieram, seu passado, a maneira como veem o mundo no presente e a visão de um futuro, onde deixarão um legado para quem busca uma história contada pela própria vivência, pela própria voz.

Precisamos diariamente lembrar que a luta dos povos originários é a luta pela vida da Terra, das próximas gerações, das culturas milenares, dos animais, dos rios, das florestas. Precisamos lembrar que o chão que pisamos hoje é, antes de tudo, território indígena!

Vamos deixar listadas por aqui também algumas mídias indígenas presentes e atuantes nas redes sociais, que trazem informação e falam com propriedade sobre a luta dos povos originários: Visibilidade Indígena; Mídia India-Oficial; COIAB; Mídia Guarani Mbya; Apib.

Sentiu falta de mais artistas indígenas por aqui? Vale lembrar que esta é apenas uma primeira lista, em breve voltaremos com uma segunda parte. Comenta e compartilha com a gente mais artistas para expandir nosso repertório!

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