AmandesNoBeat em seu Boiler Room particular chamado “UK Baile, Vol.1”

Em seu EP de instrumentais que bebe bastante dos gêneros UK, AmandesNoBeat transforma nossos fones em seu Boiler Room particular

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Capa de “UK Baile, Vol.1”

AmandesNoBeat é DJ e beatmaker de Taubaté (SP), tendo seu primeiro trabalho dentro do Hip-Hop como MC do grupo InterRaps em 2014. Por necessidade, começou a produzir e desde então teve início sua escalada para trabalhar com grandes personalidades da cena e se tornar um dos produtores mais versáteis do Brasil.

Recentemente Amandes dropou seu EP de instrumentais intitulado “UK Baile, Vol.1”, trabalho esse que bebe muito dos gêneros UK (Grime, UK Drill, UK Garage) mas que também não deixa de lado suas fortes raízes brasileiras. Abusando da essência inglesa e jamaicana, o produtor cria seu próprio Boiler Room em nossos ouvidos. Conversamos com ele pra conhecer mais das suas referências, inspirações e processo criativo.

Confira abaixo!

AmandesNoBeat | Spotify
Capa do EP “Grimeshit” (P.B.O & AmandesNoBeat)

Kalamidade: Seus primeiros trabalhos dentro do Grime vieram em 2018, na produção do EP “Grimeshit” com o P.B.O, podemos dizer que ali que o “UK Baile, Vol.1” começou a nascer?

Amandes: Eu posso dizer que foi ali que a minha inserção nesse meio começou, não só o UK Baile, o UKB até o momento foi o meu melhor projeto dentro dessa vertente, mas ainda assim é somente um processo de algo que, pra minha carreira, tende a se expandir mais ainda, o UK Baile é recente dentro dessa linha cronológica de quando comecei a produzir e me aprofundar em gêneros UK, naturalmente virão outras coisas mais grandiosas e melhores.

K: Já que falamos dos seus primeiros passos dentro do Grime, qual foi o seu primeiro contato com os gêneros de UK? E quando foi que surgiu a necessidade de criar algo que refletisse sua própria identidade?

A: Meu primeiro contato com gêneros UK foi em 2016, um DJ amigo meu (DJ Luís Simonetti) já tocava Grime nas festas e me mostrou Skepta, mas só dois anos depois que me interessei de fato por começar a estudar o gênero, que só se intensificou quando vi o Brasil Grime Show. A necessidade partiu do momento em que eu me via fazendo vários gêneros com qualidade mas o meio social deles não me representava individualmente, eu amo Boombap, amo Trap, foram minhas bases artísticas, mas consigo me identificar verdadeiramente com Grime, Drill, Garage, até pelo contexto social, roupas, localidades, costumes e etc.

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AmandesNoBeat (Arquivo Pessoal)

K: “UK Baile, Vol.1” é um EP de instrumentais onde toda sua sonoridade básica vem de gêneros com bastante força no Reino Unido, apesar da crescente de projetos no país que levam consigo essa musicalidade, cada artista coloca um pouco de suas referências principais nos seus trabalhos, no seu caso, quais são as principais referências para o “UK Baile, Vol.1”?

A: As referências já começam na capa, que foi inspirada por um trabalho do Russo Passapusso do Baiana System, coincidentemente essa arte que o Luan (designer da capa) fez remete ao “Grimeshit” onde em algumas tracks eu sampleei percussões do próprio Baiana System. Musicalmente, a Tape “Soundbwoy” do CESRV me inspirou muito pra eu dar o pontapé inicial na minha; Hamdi um produtor inglês também; gosto também de AJ Tracey, enfim, acredito que esses tenham sido os pilares pra eu começar a desenvolver a tape.

K: Neste trabalho em diversos momentos você flerta com musicalidades brasileiras, seja com a adição de samples ou linhas de instrumentais que se assemelham muito ao Funk. Como foi pra você trabalhar na construção dessas misturas de nuances sonoras que teve como resultado um trabalho bastante característico sonoramente?

A: Foi um processo muito natural e satisfatório, consegui colocar exatamente todos os elementos que eu tinha imaginado em cada track e construir uniformemente. Uma grande preocupação era as músicas casarem com a arte visual e casarem entre si. Tive que saber mesclar o UK com o Brasil e fazer jus ao nome, acredito que consegui.

K: Durante o processo criativo de construção do EP você estava ouvindo mais o que? Consegue ver um reflexo direto dessas audições mais pontuais para o resultado final de “UK Baile, Vol.1”?

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A: Era um período onde eu tava literalmente internado no Garage, ouvindo a Tape do Cesinha, ouvindo muito Skepta, Wiley, AJ Tracey, descobrindo novos produtores, era uma mistura. Ouvia bastante Grime também, a track “UK Baile” tem timbres de Grime na composição por exemplo, “London Session” foi totalmente inspirada em “West Ten” do AJ Tracey e ainda assim ficou com a sua própria sonoridade, impossível dizer que o que eu ouvia não refletia nas tracks, acho até normal isso acontecer.

K: O trabalho já chama muita atenção logo no primeiro contato visual com o ouvinte, a porta de entrada para a sessão especial de instrumentais do Amandes já é bastante expressiva logo na capa. Você participou do processo de construção da identidade visual do EP?

A: Participei um pouco com detalhes que eu queria, como a bandeira da Jamaica e da Inglaterra divididas, a bandeira do Brasil, o persona na arte, mas a estética, a referência da arte, colorização, tudo foi feito e conduzido pelo Luan, que modéstia a parte quebrou absurdamente nessa capa.

K: Falando de maneira bem particular nesse momento, quando dei play pela primeira vez no EP e começou a tocar “Onda” eu logo me peguei em um Boiler Room do Amandes especial UK Garage. Com o Brasil se encaminhando para uma possível liberação de eventos, já podemos começar a sonhar com essa possibilidade?

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AmandesNoBeat (Arquivo Pessoal)

A: Com certeza, dentro das medidas de segurança, mas será possível um set sim, até mesmo algo maior como um Boiler Room. O planejamento era ter feito uma audição da Tape, mas por questões de segurança a gente preferiu adiar, fiquem atentos que logo tô anunciando datas.

K: Antes de encerrar o papo, quero agradecer a disponibilidade de trocar essa ideia pra gente e fazer a pergunta que não quer calar, podemos esperar o “UK Baile, Vol.2”?

Amandes: Eu gostaria de agradecer demais o espaço me dado pra falar um pouco mais sobre meu disco, sempre que precisarem de mim, só me dar um alô. E sim “UK Baile Vol.2” se Deus quiser, ainda em 2020, verão tá chegando ai logo menos né, nada melhor pra esse momento.

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