Foto: Dungeon Family

Que Cena é Essa: Dirty South

Vamos para o sul dos EUA conhecer o Dirty South, uma ação de MCs, produtores e entusiastas que definiu um estilo e criou um subgênero no Rap.

No ano de 1995, grande parte da cena do Rap norte-americano estava ocupada e com os olhos voltados para a disputa entre as Costas Leste e Oeste. Essa época foi marcada como o auge da treta que resultou nos assassinatos de 2pac e Notorious B.I.G e alguns eventos emblemáticos fazem parte dessa linha do tempo. Porém, neste ano em especial um acontecimento fez com que os holofotes do público e dos artistas voltassem o foco para outro lugar.

Outkast

No palco do Madison Square Garden acontecia a edição do The Source Awards, prêmio organizado pela revista The Source. Entre trocas de ofensas por parte de Suge Knight, Snoop Dog, B.I.G e Puff Diddy, uma voz se levantou mais alto. Na categoria “Melhor Novo grupo de Rap”, uma dupla até então desconhecida acabou levando o prêmio. Esses dois MCs eram ninguém menos do que André 3000 e Big Boi, que subiram ao palco para receber o prêmio pelo disco de estreia do Outkast. Em uma recepção nada calorosa, a plateia presente apenas vaiou os vencedores, numa clara representação da visão do que as outras regiões dos EUA tinham a respeito da música feita no sul do país. Vistos como caipiras e atrasados, a ação acabou por resultar em um discurso caloroso de André que ficou marcado pela marcante frase:

The south got something to say.

Porém, mais do que um acontecimento isolado, a fala do MC faz parte de um movimento extenso e coletivo, que foi responsável por desmarginalizar o Rap sulista dentro do mercado musical norte-americano. Além de ser responsável por revelar alguns dos artistas mais talentosos da história do Hip-Hop. Essa dinâmica recebeu o nome de “Dirty South”, termo cunhado pelo grupo Goodie Mob em uma canção homônima lançada em 1995. Porém, o Dirty South é muito anterior aos versos dessa música ou ao discurso de 3K no Source Awards. Ele é uma ação espontânea de vários MCs, produtores e entusiastas da cultura em cidades do Sul dos EUA, que acabou por definir um estilo e criar um subgênero dentro do Rap.

O conceito de Dirty South nasceu com o intuito de ressignificar a imagem do sul dos EUA não apenas como localidade. Mas também quanto ao estereótipo voltado para o Rap produzido por lá, que recebia adjetivos como retrógrados, abjetos, caipiras ou excessivamente sexuais. O movimento cresceu, deixando de ser uma subcultura do Rap norte americano, para tornar-se um grande elemento da indústria musical no fim dos anos 90, com grande investimento de gravadoras em cidades do sul como Atlanta, Nova Orleans, Houston, Memphis, Miami e Virginia Beach. Antes do Dirty South, por mais que ainda tivessem certo espaço dentro da cena, artistas desses locais precisavam se encaixar em determinados padrões estéticos para conseguir sua comercialização.

Com um surgimento semelhante ao do Gangsta Rap da Costa Oeste, o estilo contou com indivíduos que antes eram marginalizados, para realizar uma mudança conceitual e estilística dentro do Hip-Hop. E assim como a cultura de lugares como o Bronx ou Compton foram responsáveis por dar luz e protagonismo para suas comunidades, o som do Sul não foi diferente. Extremamente ligado à condição geográfica, o gênero trouxe uma nova perspectiva acerca desta área dos Estados Unidos, porém sem deixar de lado as particularidades da região.

Apesar das novidades estéticas, o Rap do sul sempre esteve conectado com as raízes da música negra norte-americana. A população estava disposta a aceitar mudanças e produtos da indústria do Rap, e no sul elas sempre eram focadas em aspectos como a dança e o envolvimento do público. Desta forma podemos constatar que o crescimento do Dirty South partiu de uma iniciativa e esforço coletivo de públicos locais, artistas, proprietários de gravadoras independentes, proprietários de clubes, vendedores de discos ou fitas e uma série de outros fatores microeconômicos cujas atividades são essenciais para o surgimento de uma cultura musical coletiva mais ampla.

MIAMI

Com suas influências latinas, a cidade teve uma das formações culturais mais particulares dos EUA. Como fala Luther Campbell:

Os cubanos e os negros caribenhos deram a esta cidade sua personalidade… O estilo latino misturou-se com o preto, o ritmo e as cores caribenhas.

Um jeito específico de fazer música, conhecido como “Miami Bass”, tomava conta da região e ditava as estéticas dos artistas. Utilizando de tempos rápidos de 125 bpm e mixagens tocadas em sistemas de sons altos e pesados, o bass recebia muita influência do eletro feito nos anos 80. Nomes como Mantronix e Afrika Bambaattaa usaram temas futurísticos e imagens para complementar sons gerados com baterias eletrônicas, sequenciadores e sintetizadores, baseando-se fortemente no trabalho do grupo alemão Kraftwerk.

Na década de 90 o estilo vivenciou seu auge, por meio do já citado Luther Campbell e seu grupo 2 Live Crew, além de outros nomes como Quad City DJ’s, 95 South e DJ Magic Mike. Apesar de um certo declínio no fim desta década, os anos 2000 trouxeram consigo outros artistas como Trick Daddy, Trina e Rick Ross que foram responsáveis por colocar a cidade de volta no jogo.

2 Live Crew

HOUSTON

Capa do álbum “The Geto Boys”

A cidade do estado do Texas com sua cena foi fundamental na evolução e na apresentação de inovações dentro do Hip-Hop estadunidense. Nos meados dos anos 80 já havia um cenário que serviu de embrião para grandes nomes que produziram verdadeiros clássicos. O pontapé inicial dessa história é por meio da fundação da gravadora Rap-A-Lot-Records em 1986 por James Prince em parceria com Cliff Blodget. Prince foi a pessoa por trás da formação do grupo Geto Boys, que junto de Rick Rubin lançaram o álbum “The Geto Boys” em parceira com a gravadora de Rubin. Porém, ainda sim o disco seguia tendências do Rap de Nova York e Los Angeles e faltava um vínculo local entre os integrantes do grupo. Mesmo que Willie D. e Scarface fossem de Houston, eles cresceram em bairros diferentes, separados tanto pela distância geográfica quanto pela realidade social. Já Bushwick Bill tinha ascendência jamaicana e se mudou para o Texas na adolescência. Contudo, a Rap-A-Lot junto com o Geto Boys foram elementos principais para colocar a cidade nos holofotes do rap norte-americano.

Capa do álbum “Too Hard To Swallow”

Formado pelo MC Bun B e pelo também rapper e lendário produtor Pimp C (R.I.P), o UGK ou Underground Kingz é um dos responsáveis por modelar a forma de se fazer Rap no sul dos EUA. Apesar de serem de Port Arthur, fronteira do Texas com a Louisiana, a dupla é pedra fundamental da cena de Houston. Fazendo um som mais lento, sampleando fundos instrumentais ao vivo ou grooves de blues, os artistas conceberam discos clássicos como “Ridin Dirty” e “Too Hard To Swallow”. Bun e Pimp foram pioneiros na cidade e abriram portas para que outros artistas pudessem exibir novas abordagens e estéticas.

Outro nome da cidade que merece destaque é DJ Screw e seu “Chopped and Screwed“. A técnica de remixagem consiste em reduzir os bpms e aplicar métodos de pular batidas, stop-times e modificar a composição original criando assim uma versão “chopped-up” da música. A produção do DJ acompanhou a cena de consumo de lean, mas além disso, criou uma identidade única para tudo que era feito em Houston. Apesar da morte precoce de DJ Screw em 2000, seu estilo foi levado adiante por outros artistas e foi muito utilizado posteriormente no Trap. As screw tapes tornaram-se símbolo da cidade, mesmo com a técnica sendo reproduzida em Memphis, New Orleans e Miami, sendo assim vanguarda e referência no Rap dos EUA.

DJ Screw

NOVA ORLEANS

A cena de Nova Orleans construiu-se em shows, boates, festas em casas e em bairros. Com uma localidade formada por grandes projetos habitacionais que geravam uma economia própria para os artistas poderem conceber seus trabalhos. Durante a década de 80 grupos de DJs, como Denny Dee’s New York Incorporated e Brown Clowns, deram os primeiros passos para constituir a cultura e a música da cidade, através de produções totalmente independentes.

No fim da década de 80 e início da década de 90 um gênero surgiu em Nova Orleans, o Bounce. Graças a artistas como MC T Tucker, DJ Irv e DJ Jimi a região deu luz a um estilo próprio e característico, alcançando espaço mercadológico assim como outros estados do sul dos EUA. Gravadoras locais, principalmente a Cash Money, aproveitaram esse momento para dar seus primeiros passos e lançar MCs locais que logo começaram a representar as demandas locais. Juvenile, Lil Slim, Pimp Daddy, Cheeky Blakk e outra dezena de rappers fundamentam a abordagem, performance e composição do estilo.

O Bounce dominou Orleans e com influências do som da Costa Oeste a cidade pode acompanhar uma invasão ao mainstream. A gravadora No Limit Records, do rapper e produtor Master P, tornou-se um dos nomes mais fortes do país e consagrou-se em um grande conglomerado. Já a já citada Cash Money foi a responsável pela formação do grupo Hot Boys, cujos integrantes eram (um jovem e talentosíssimo) Lil Wayne, Juvenile, B.G e Turk. Todos jovens da região e que logo levaram o nome da cidade a um alcance nacional.

Hot Boys

MEMPHIS

A cena de Memphis com certeza é uma das mais interessantes de todos os EUA. Desenvolvendo-se na virada dos anos 80 para os 90, a maioria de seus artistas são naturais do bairro de Orange Moud, a comunidade afro-americana mais antiga da cidade. A maior parte dos MCs da região são conhecidos pelo seu estilo sombrio e até ameaçador de rimar e isso deve-se à constituição histórica do bairro e da cidade como um todo. Berço do Delta Blues, variação do Blues que nasceu na região do delta do Mississipi, que muito tratou da difícil situação socioeconômica dos negros daquela localidade no inicio do século XX, Memphis sempre foi um centro de música negra popular e isso ajudou a alavancar artistas criativos dentro do Rap.

A cena de Memphis começou a dar seus grandes passos no início da década de 90. Com músicas que sampleavam a faixa “Drag Rap” do grupo de Nova York The Show Boys, a cidade foi tomada por um estilo de dança que ficou conhecido como “gangsta walk“. Essa tendência impulsionou os primeiros grandes nomes locais, SMK, Romeo e Gangsta Pat, e deu início a um grande desenvolvimento estético e cultural em Memphis. A principal força da música do local estava em seus DJs, responsáveis por lançar mixtapes que contavam com a participação de rappers locais, fazendo os MCs crescerem em popularidade dentro e fora da cidade.

Three 6 Mafia

Uma dupla de DJs, DJ Paul e Juicy J, resolveram produzir material autoral em parceria com rappers da região, formando o então Triple Six Mafia, que mais tarde viria a tornar-se o famigerado Three 6 Mafia. Os dois DJs, ao lado dos rappers Lord Infamous e Project Pat iniciaram o projeto em 1991, que mais tarde expandiu sua formação adicionando mais nomes ao time como Gangsta Boo, Crunchy Black, La Chat, Lil Wyte, Koopsta Knicca, Frayser Boy, Playa Fly, Indo G e Gangsta Blac. Eles ficaram conhecidos por suas composições com BPMs lentos, repetitivos e extremamente contagiantes que serviram como base para o surgimento do “crunk” anos depois. Após um grande sucesso construído de forma independente o grupo assinou com a gravadora Relativity Records, da Sony Music Entertainment, tornando-se o grupo de Rap mais bem sucedido de Memphis. Em 2006, o Three 6 Mafia tornou-se o primeiro grupo da história do Hip-Hop a ganhar um Academy Award (Oscar), pelo seu single, “Hard Out Here for a Pimp”, da trilha sonora de Hustle and Flow.

ATLANTA 

A cidade é conhecida como a capital do Dirty South e existem vários fatores que explicam esse status. O fato de ser um centro populacional em crescimento, possuir simbolicamente a posição de uma “meca” para a população afro-americana (herança da luta pelos direitos civis) e servir como um centro econômico contribuíram para Atlanta ser tão bem sucedida artisticamente. Durante a década de 80 ATL serviu como um satélite da cena de Miami Bass, teve sua estrutura própria nos 90 e à partir dos anos 2000 ascendeu como o maior expoente do Rap do sul dos EUA.

MC Shy D

Assim como suas vizinhas, Atlanta só começou a ter uma cena própria no fim dos anos 80. Os primeiros rappers da cidade atraíram bastante do público local, porém sem conseguir ter relevância além dos quatro cantos da região. O primeiro MC que conseguiu trazer os holofotes de ATL e adjacências para si foi MC Shy D, que era nova-iorquino mas acabou fazendo seu nome no território sulista. No fim dessa década Shy D assinou com a Luke Skyywalker Records, do MC e produtor Luther Campbell (líder do já citado 2 Live Crew) e começou a apresentar-se ao lado dos artistas de Miami. E por um tempo foi assim que a cena de Atlanta se manteve, como uma horta que constantemente dava frutos para seus adjacentes.

Arrested Development

Com a chegada da década de 90, Atlanta pode testemunhar a primeira geração de músicos que constituíram sua própria estética de Rap. Diversos DJs e produtores locais como Kizzy Rock e DJ Smurf começaram a fomentar uma cena de Dance Music que resistia ao Miami Bass. Já MCs como Kilo e Success N Effect lançaram suas músicas com a colaboração de selos independentes como WRAP / Ichiban ou Black Label. O grupo Arrested Development foi o primeiro baseado em Atlanta a atrair a atenção do público de forma nacional. Composto por estudantes da Universidade de Winscosin, os artistas possuíam uma pegada Afrocentrada e não seguia muito a linha do gangsta rap da época. Apesar da grande aclamação da crítica, a música do Arrested Development lembrava muito o Rap feito na Costa Leste dos EUA e de certa forma não conectava-se de forma temática e estética com as demandas locais de Atlanta.

A concepção de nomes fortes e que elevaram o patamar de Atlanta teve início com a fundação da La Face Records. Responsável por lançar trabalhos de nomes como OutKast, TLC, Goodie Mob, Cool Breeze e Witchdoctor, o selo conseguiu levar os sons feitos na cidade para todo o território dos EUA. Parte dos artistas da label como Goodie Mob e Outkast fazem parte da Dungeon Family, que figura como um celeiro infinito de MCs, cantores e produtores talentosos. Extremamente influenciados pelo Funk e pelo Soul, o nome do coletivo faz referência ao “The Dungeon”, estúdio do produtor e integrante Rico Wade, que ficava localizado no porão da casa de sua mãe.

Dungeon Family

A Dungeon Family com certeza constitui um capítulo à parte na história do Hip-Hop. Sob a tutela do time de produtores Organized Noize, formado por Ray Murray, Sleepy Brown e o já citado Rico Wade, o coletivo foi responsável pelo desenvolvimento de Atlanta como um grande centro cultural e artístico. O termo Dirty South, por exemplo, foi utilizado pela primeira vez da forma que o compreendemos em uma canção homônima da Goodie Mob e a segunda geração de artistas do coletivo conta com gente como Future, Killer Mike e Janelle Monáe. Porém o protagonista dessa história é o OutKast, a clássica dupla formada por André 3000 e Big Boi. Naturais do bairro de East Point, André Lauren Benjamin (Andre 3000) e Antwan André Patton (Big Boi) se conheceram com 16 anos de idade e já nessa época tinham a habilidade de criar versos complexos. Tanto em estética quanto em música os dois eram únicos, de acordo com Rico Wade:

Eles não eram manos do gueto de Atlanta – nenhum dente de ouro. Eles eram Hip-Hop.

Dessa forma, o OutKast foi o grande porta voz da música sulista e de novas perspectivas artísticas e sociais das populações do sul dos EUA.  Em 1994 eles lançaram seu disco de estreia, “Southernplayalisticadillacmuzik” que foi disco de platina e abriu as portas para que a dupla pudesse ter liberdade para produzir sua clássica discografia com abordagens que fugiam do estilo de vida dos gangstas sulistas e falavam de temas cósmicos e afro futuristas. Inclusive atualmente o grupo figura como os últimos representantes do Rap a vencer a categoria de “Álbum do Ano” do Grammy Awards em 2004, com o álbum duplo “Speakerboxxx/The Love Below”.

Atlanta ainda deu luz a vários outros MCs como Ludacris, TI, Bonecrusher, Gucci Mane e Young Jeezy, mas não só em nomes que a cidade se tornou a maior, mas também por saber trabalhar bem seus gêneros e subgêneros estéticos.

VIRGINIA BEACH

As outras cidades mencionadas nesse texto tiveram no desenvolvimento de suas cenas características parecidas com as atividades coletivas, apoiadas por redes locais de clubes, rádios e pequenas gravadoras independentes. Virginia Beach não seguia esse modus operandi. Mas através de alguns produtores e MCs encontrou caminhos para o mercado pop produzindo uma música mais “sensível” do que suas vizinhas e uma estética mais livre das preferências do público local.

A chegada do produtor Teddy Riley na cidade foi o pontapé inicial para a construção de uma indústria musical própria para Virginia. Natural de Nova York e muito chegado ao R&B, Riley chegou em 1990, montou um estúdio e aproximou-se da comunidade fomentando eventos locais. Através dessas ações diversos aspirantes a cantores e produtores foram descobertos. Entre eles os mais especiais é a dupla Pharrell Williams e Chad Hugo, que sob a alcunha de The Neptunes trabalharam na composição e produção do estúdio de Riley enquanto ainda estavam no ensino médio. Após um período trabalhando no estúdio em Virginia, os dois mudaram-se para Nova York onde trabalharam ao lado de ícones do Rap como Mystikal, Jay-Z e Scarface. A música do The Neptunes rompeu a bolha do Rap fazendo com que eles produzissem também para grandes artistas pop como Britney Spears, Justin Timberlake e Beyoncé, influenciando uma geração de produtores que viriam depois dele e mudando a indústria musical como um todo. Em 2002, Chad e Pharrell junto de seus conterrâneos Pusha T e No Malice (a dupla Clipse), lançaram o álbum “Lord Willin” que figura como um dos clássicos do início da década.

The Neptunes

Outra dupla importantíssima não só para a cidade, mas para o mercado da música como um todo, é o produtor Timbaland e a rapper Missy Elliot. Assim como o The Neptunes, os dois artistas acabaram deixando a cidade em meados da década de 90, mas eles foram responsáveis por elevar a cena local à nível nacional. Produzindo durante anos álbuns solo, colaborativos e músicas dentro e fora do Rap, Timbaland se estabeleceu como um dos maiores produtores de Rap, R&B e Pop, fundando sua própria gravadora, a Beat Club. Já Missy Elliott, além de seu trabalho como cantora e MC, também produziu (junto de Timbaland) nove músicas do álbum “One in a Million”, da Aaliyah. Além disso, também trabalhou com Mariah Carey e Destiny Child. Em 1997, colaborando novamente com Timbaland, ela lançou seu disco de estreia, “Supa Dupa Fly”, e a partir dele alcançou vendas de platina que a tornaram a maior artista feminina da história do Hip-Hop.

Por fim, o Dirty South estabeleceu novas estéticas dentro do Rap norte-americano, ampliando artisticamente e mercadologicamente os limites musicais do Hip-Hop. Além disso, foi uma bandeira sob a qual uma comunidade invisibilizada e marginalizada dentro da própria cultura, pode se expressar e mostrar sua verdadeira identidade. O sul dos EUA ainda hoje nos presenteia com renovações artísticas que embalaram as décadas passadas, como o Crunk e o Trap. Tudo isso foi graças a um esforço coletivo que se fez ouvido, afinal, o sul tem algo a dizer.

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