Foto: Binho Gimenes

NATH reúne um time de mulheres em seu primeiro álbum “BRAZA”

Ressignificando o Drill com um time de participações totalmente feminino, NATH prepara o lançamento do seu primeiro álbum.

Produtora, DJ e fotógrafa são algumas das atribuições de NATH, nome artístico da curitibana Nathalia Schleder. Integrante do coletivo Deusa, a artista é mais uma das minas que vêm ressignificando a cena de produção musical do Rap nacional. Tocando suas batidas nos mais diversos locais do mundo, por meio do selo XXIII Beats (Portugal), do coletivo mexicano Team Oneself e na label peruana Matraca, NATH demonstra seu amor pelo underground com trabalhos cheios de personalidade.

Depois de trabalhar com a banda Tuyo e com o rapper Vírus, além da produção de diversos remixes, a artista prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum. Intitulado, “BRAZA”, o disco tem previsão de lançamento para o dia 23 de agosto e vai contar com um time unicamente feminino. A artista trocou uma ideia com o Kalamidade falando um pouco do conceito do trampo e sobre seu primeiro single, “Ofegante”.

Confira abaixo!

Kalamidade: Você é integrante do Coletivo Deusa, que promove ações, como oficinas e rodas de conversas, para aumentar a presença feminina na cena de produção musical. Como é produzir um álbum que transmita esses aprendizados e essa carga de significado?

NATH: Quando comecei a produzir eu me via em um ambiente bastante masculino, essa busca por mulheres na produção me fez valorizar cada vez mais trabalhar em uma equipe feminina. Eu me sinto muito realizada de poder somar com mulheres incríveis para entregar meu primeiro álbum para o mundo, espero que no futuro isso se torne uma coisa mais frequente no mercado musical.

Foto: Binho Gimenes

K: O “BRAZA” vai ser um álbum de R&Drill, mas ainda sim você tem uma musicalidade diversa e cheia de facetas. Como foi chegar a esse estilo e por que você o escolheu para ser o carro chefe do seu trabalho?

N: Eu comecei na produção musical pelo Funk, mas com o tempo passei a produzir a Mara Marques e dediquei muito do meu tempo a estudar o R&B. Apesar de curtir demais as melodias do estilo, sempre achei que faltava algo. Foi aí que eu conheci o R&Drill e me apaixonei, acho que o estilo tem muito a ver comigo por unir melodias românticas e uma bateria pesada, gosto dessa dualidade de poder ser os dois ao mesmo tempo. Quando comecei a produzir o estilo eu fazia muitos beats, esse ano resolvi juntar eles e criar o álbum.

K: Nos últimos anos a presença das mulheres na produção musical vem aumentando exponencialmente. Porém, o Drill ainda é um gênero “novo” no país, você acredita que trampos como o seu possam abrir portas para que mais minas se aproximem dessa cena?

N: Com certeza. Tem muita gente incrível produzindo e cantando Drill aqui no Brasil, eu não sou a primeira mulher a produzir esse estilo aqui e também não quero ser. Na cena que a gente tá o apoio feminino é muito importante, a gente tem que lutar pelo nosso espaço juntas, ver que existem outras colocando o trabalho na rua é um grande incentivo.

Foto: Binho Gimenes

K: O trabalho vai contar com um time de participações totalmente feminino e muito diversificado, como foi formar todo esse time de artistas?

N: Eu me juntei com a Yvie, minha produtora executiva, para escutar os beats e pensar em nomes que fariam sentido com cada um deles. Foi uma lista bem grande de nomes com quem eu queria trabalhar, mas fomos decupando e também trocando ideia com as artistas até fechar esse time final.

K: Um dos seus objetivos é ressignificar o Drill no cenário nacional. Um dos conceitos visuais que cumprem esse papel no disco é a nail drill. Conta um pouco de onde veio essa ideia de usar o adereço como símbolo?

N: A ideia veio da Camila Alda, a designer e diretora criativa do álbum, que já estava bastante ligada na cena do Drill e quando me contou que a nail drill tinha esse nome não tive dúvida que seria o nosso símbolo. O alongamento de unhas é um elemento muito presente e importante para mulheres no cenário do Rap, então não tinha como a simbologia encaixar melhor.

Foto: Binho Gimenes

K: Seu primeiro single, “Ofegante”, vai vir acompanhado de um audiovisual. O que podemos esperar dessa prévia do disco?

N: “Ofegante” foi a primeira faixa produzida do álbum. Nela eu trago um feat entre Julie Schiavon e Liddia, cantoras de Pelotas que se completam com vozes melódicas e rimas envolventes. Ele é um som que fala sobre momentos intensos que nos fazem perder o ar, quando permitimos, representa o empoderamento e a liberdade de viver sua sensualidade e sexualidade.

K: Além de um projeto com um vasto time de MCs, “BRAZA” também conta com nomes talentosos por trás da parte visual, styling, cenografia etc. Como é produzir um disco que atua em tantas frentes diferentes?

N: Eu gosto de trabalhar minha identidade visual desde meu primeiro lançamento. Nesse álbum eu quis trazer um conceito bem forte e pra isso eu sabia que precisaria trabalhar com uma equipe pra tornar isso possível em todas as etapas do projeto. O time é formado por mulheres de várias partes do país, foi uma experiência muito legal ver essa troca acontecendo com um propósito em comum.

K: Além do BRAZA, o que podemos esperar da NATH para 2021?

N: Esse ano tem lançamento de alguns remixes oficiais e de mais singles até o final do ano.

Agradecemos muito à NATH pela troca de ideia, e por trazer todas essas novidades e esse respiro tão importante para a cena nacional da produção. Para fazer o pré-save do single “Ofegante”, clique aqui. Acompanhe os lançamentos da NATH nas redes sociais dela e nas plataformas de streaming.

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