Espaço Agenda Cultural
Espaço Agenda Cultural

Agenda: Graffiti, Hip-Hop e Educação

Conheça o Centro de Artes Urbanas Agenda e o corre que liga Graffiti, Hip-Hop e Educação em Florianópolis.

Aliar Hip-Hop e Educação numa mesma frase pode parecer redundância, a gente sabe. No entanto, nesses tempos em que as culturas populares, sobretudo as de rua, correm perigo é importante fincar o pé e marcar posição. O setor cultural foi um dos que mais sofreu com os efeitos nefastos da pandemia. E esse cenário parece que demorará ainda a mudar. Porém, sempre surgem iniciativas importantes e elas vêm das ruas.

É por isso que, em comemoração ao Dia do Graffiti, celebrado no dia 27 de março, conversamos com Sara Duarte, a Sari, grafiteira e educadora. Sari é uma das responsáveis pelo Centro de Artes Urbanas Agenda, um espaço dedicado à cultura Hip-Hop e à educação que tem como missão fomentar a cena da cultura urbana em Florianópolis (SC).

Agenda urbana
1º Festival de Graffiti Agenda Urbana / Foto: Bruna Ferreira

Kalamidade: Como nasceu o Agenda?

Sari: Durante o ano de 2016, Gugie [Cavalcanti] e eu identificamos a demanda de um espaço cultural que reunisse artistas e simpatizantes da cultura urbana em nossa cidade. A partir disso durante dez meses trabalhamos na pré-produção do Agenda. E em 2017 inauguramos o espaço físico.

K: Qual foi o objetivo inicial do Agenda?

S: Nosso objetivo principal era e é o de fomentar e empoderar uma cena cultural urbana já existente, e muito forte por sinal, em nossa cidade.

Buscamos valorizar os trabalhadores e artistas da cultura urbana além de movimentar e fomentar a economia criativa do setor, promovendo acesso à cultura e educação.

K: Nas ações do Agenda dá para perceber um cuidados em ter o máximo possível dos elementos presentes. Sempre foi intencional?

Graffiti: Mousse / Foto: Rodrigo Rizo

S: Nós trabalhamos com a cultura Hip-Hop como ferramenta de arte, educação e transformação social. A cultura Hip-Hop é contemporânea e presente em todas as cidades do mundo, inclusive é muito rica no sentido que nos permite permear e trabalhar as artes integradas como um todo através dos 5 elementos.

O Agenda se tornou um ponto de encontro, onde pessoas de todas as idades e lugares se reúnem para criar, investigar, sentir, aprender, trocar conhecimentos e experiências, posso dizer que o Agenda é um laboratório de criatividade. Promovemos aulas, cursos, workshops, além de eventos culturais.

Além de realizar ações externas culturais e voluntárias pela cidade, como oficinas, saraus, revitalização de espaços públicos nas comunidades, ações de graffiti, dança e música, campanhas de agasalho, alimentos, livros, brinquedos, que logo são redirecionadas a pessoas ou instituições menos assistidas.

 K: Quem está a frente do projeto?

S: O Agenda foi gestado e é gerido por mulheres! Considerando que a cultura Hip-Hop é ainda majoritariamente masculina, destacar que o primeiro e único centro de artes urbanas da cidade foi idealizado e é administrado por mulheres é um ponto importante!

Em 2019, a MANDINN entrou pra equipe, novas parcerias foram criadas, os objetivos continuaram sendo os mesmos, aprimoramos e aperfeiçoamos nossas atividades e propostas foi quando percebi que precisávamos atender as camadas da população menos assistidas culturalmente, sendo assim comecei a escrever projetos culturais e sociais para conseguir promover nossas atividades e vivencias de forma gratuita.

Atualmente MANDINN e eu administramos o Agenda. Eu sou estudante de Licenciatura em Artes Visuais, arte educadora, graffiteira, produtora cultural e empresária. A MANDINN é graffiteira, produtora de eventos e representante do fórum da setorial do Hip-Hop de Florianópolis. Juntas, porém não sozinhas, construímos projetos e ações culturais através do Agenda. Digo isso pois é um trabalho em conjunto, as ações do Agenda movimentam o setor cultural urbano da cidade como um todo, parcerias são firmadas e nosso trabalho resulta em ações coletivas que movimentam muitas pessoas.

1º Festival de Graffiti Agenda Urbana / Foto: Bruna Ferreira

Pelo Agenda já passaram artistas locais e internacionais que contribuíram diretamente com a construção desse espaço, e a disseminação da cultura Hip-Hop na cidade.

Um espaço como o Agenda é muito importante para a cidade e para a comunidade que aqui vive, pois é o único na região que contribui diretamente na cena cultural urbana.

K: Sabemos que vocês são mil grau, mas digam aí pra gente, como as coisas estão desenrolando na pandemia?

 S: O ano de 2020 foi muito cruel, veio com muitas dificuldades, por sermos um espaço independente, não contamos com apoio ou verba governamental. Dessa forma foi necessário fechar o espaço físico e dar uma recuada, para analisar a melhor forma de nos adaptamos ao cenário e poder continuar com nossas ações e projetos.

Durante o período da quarentena e isolamento social, trabalhamos na escrita de diversos projetos e pensamos e elaboramos formas de viabilizar a reabertura e dar continuidade ao nosso trabalho e atendimentos.

Ainda não sendo possível a reabertura do espaço físico, investimos nossa energia em projetos online, como por exemplo o “Papo de Tag”, uma série de entrevistas com graffiteires da cidade, projeto viabilizado pelo edital #sculturaemsuacasa. Rolou também a “Batalha de Beats”, uma collab do Agenda com o Coletivo UMTETO.

K: 2021 começou a todo vapor, fala um pouco dos projetos que rolaram/tão rolando.

S: Iniciamos 2021 realizando o 1° Festival de Graffiti Agenda Urbana, projeto que além de promover o acesso à cultura a camadas da população menos assistidas, movimentou a economia criativa do setor cultural urbano nesse momento tão delicado de crise que vivemos atualmente.

Na Casa da Criança – Morro da Penitenciária, o muro principal contou com 12 graffiteires selecionados, além de atrações de dança, rappers e DJs, o projeto se estendeu aos muros da comunidade, onde realizamos o muro paralelo com mais 43 graffiteires e surgiram demandas e em parceria com os moradores realizamos a retirada do acúmulo de lixo e revitalização do espaço com Graffitis conscientizando sobre a problemática do lixo.

Atualmente adiamos a reabertura do espaço físico, e estamos adaptando projetos que aprovamos na LIC (Lei Municipal de Incentivo à Cultura) buscando formas de nos adaptar à nova realidade e inserir ferramentas digitais possibilitando dar continuidade aos nossos projetos.

É difícil pensar a longo prazo nesse momento. Mas novos projetos para 2022 estão sendo elaborados.

Agradecemos muito ao Agenda pelo corre feito pela cultura urbana de Florianópolis, levando o Hip-Hop como ferramenta de educação e transformação social. Para acompanhar o Centro de Artes Urbanas Agenda, siga os perfis nas redes sociais: Instagram e Facebook.

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