Ecologyk manda o beat, faço hit e vou além

Um papo com o Ecologyk sobre produções, lançamentos, música Eletrônica e muito Trap

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Salve família Kalamidade! Gustavo por aqui pra trazer hoje um papo muito firmeza que eu tive com o DJ e produtor paulista Ecologyk!

Ecologyk

Natural de Guarulhos (SP) e nomeado Paulo Henrique Castro, Eco iniciou sua carreira como produtor de música eletrônica aos 15 anos em 2009. Com doze anos de carreira, Ecologyk construiu uma identidade que abraça diversos gêneros musicais, explorando do Eletrônico, ao Trap, para o Rap até o Pop.

Trabalhando com grandes nomes e revelações do Rap e Trap nacional como Yunk Vino, MC Igu, Tássia Reis, Duzz, Sidoka, Froid, Lucas Boombeat, Jovem Dex, Konai, Bivolt, Chris, Monna Brutal, MC Guimê e vários outros, Eco conta com produções assinadas pelas gigantes Sony Music, Universal e Warner. Como DJ, já se apresentou em festivais como Lollapalooza, Tribe e Kaballah, chamando muita atenção com seus sets Open Format, misturando muito Pop e Hip-Hop.

Em maio de 2018, Eco fundou sua gravadora Asfalto Records, focada em trazer lançamentos de novos talentos e artistas consolidados da cena nacional. Pela sua gravadora, Eco conduziu um mar de lançamentos, dentre eles seu primeiro álbum “Venturo”, que reuniu mais de 40 artistas dos mais diversos gêneros musicais em 12 faixas, com a participação de nomes como Lucas Silveira, OSHUN, Tuyo, MC Rita, MC Marks, Jé Santiago e vários outros, reforçando a multidisciplinaridade do produtor que fundiu diferentes estilos de forma muito única.

Em dezembro de 2020, Ecologyk soltou na rua a sua mais recente mixtape “Protótipo Vol. 1” novamente pela Asfalto. O projeto reuniu 18 artistas da nova geração do Trap nacional buscando dar mais espaço e atrair atenção para esses novos talentos.

Contracapa da mixtape “Protótipo Vol. 1”

Com uma longa trajetória na cena eletrônica, colocando o seu nome e suas produções nos fones de todos os que chapam no puro suco do Trap nacional, e apresentando novos nomes para a cena com a sua gravadora, passamos o microfone para o nosso mano Ecologyk, para passar todas as suas visões sobre esse maravilhoso universo das produções. Na voz, Ecologyk.

Da cena Eletrônica para o Hip-Hop

Kalamidade: Salve Eco! A sua trajetória na produção musical começou com a música eletrônica, em 2009. Nove anos depois, em 2018, você entra de vez na cena do Hip-Hop nacional. O que motivou essa virada de disco na sua caminhada, e como foi esse processo de transição e adaptação para conhecer novos elementos e aplicar novas técnicas na produção de Hip-Hop?

Ecologyk: Salve família! Gratidão pelo espaço, viu? Então, a transição foi muito natural, porém com muitos desafios nos “bastidores”. 

Eu fazia parte de uma das maiores agências de DJs do Brasil, assinei com eles quando eu tinha 18 anos, fiquei de 2012 até o meio de 2017, viajei o Brasil todo tocando, participei de festivais grandes, sou muito grato por tudo isso, mas de repente eu vi o mercado do estilo que eu tocava (EDM) caindo, aí eu comecei a  inserir um pouco de Bass Music nos meus sets (Dubstep, Trap Eletrônico), fazendo participações já com alguns artistas do Rap, pra tentar me manter no cenário, mas não deu certo e eles me tiraram da agência da noite pro dia, sem nenhum comunicado ou conversa antes.

E: Nisso eu fiquei sem tocar e sem nenhum tipo de renda, ninguém ganhava royalties na época. Fiquei com depressão por meses, eu ainda morava com meus pais, a situação deles já não era muito boa e eu não podendo ajudar com nada me deixou desesperado, até que na virada do ano de 2017 para 2018 eu decidi que precisava voltar a produzir e criar um plano. Como eu já tinha gravado alguns artistas do Rap quando eu produzia Bass Music, eu comecei a fazer beats de Trap e enviar pra eles. De sessão em sessão fui conhecendo mais artistas e as coisas foram acontecendo.

Ecologyk e Massaru / Foto: Younguii

E: Em questão de técnicas de produção, não precisei me adaptar muito, acho que com minha experiência no eletrônico e escutando muito Trap todos os dias, foi muito fácil aplicar e ao mesmo tempo já ser uma identidade minha, alguns timbres diferentes e principalmente a qualidade de mixagem e masterização.

Profissão: Produtor

K: Eco, hoje a gente vê um movimento crescente na cena do Hip-Hop nacional de busca por um maior reconhecimento e valorização pelo trabalho realizado pelos produtores, e inclusive vemos uma cobrança maior dos próprios produtores e do público para que seja dado o merecido destaque para o trabalho de produtores, até motivando premiações a garantirem o espaço desses profissionais nesses momentos de valorização da arte. Como você sente essa relação do Hip-Hop nacional com os produtores e com a produção musical hoje?

E: Acho que hoje a cena tem valorizado cada vez mais os produtores, isso porque muitos estão se portando na cena como artistas principais das faixas ao lado do nome dos MCs, trazendo visibilidade para a profissão Produtor.

Precisamos nos impor sempre na hora do lançamento pra ter todos os créditos merecidos, afinal o beat é no mínimo 50% da música. E quanto mais os produtores focam nisso, mais a cena vai se profissionalizar e todo mundo vai ter seu espaço.

Ecologyk

K: Cara, em 2018 você fundou a Asfalto Rec, gravadora que hoje traz lançamentos de grandes nomes e de novos talentos da cena nacional. O que motivou a criação da gravadora na época e como você vê hoje a atuação e importância da Asfalto, para você e para a cena nacional?

E: Como eu vim da cena eletrônica e lá os produtores sempre foram os artistas principais, quando eu entrei no Rap eu senti um pouco falta disso, todas minhas produções eram lançadas no canal dos artistas e eu não lancei mais nenhum projeto meu, aí que eu tive a ideia de criar minha própria gravadora e lançar meus projetos.

Sinto que hoje a Asfalto faz um papel fundamental na cena de poder entregar pro público trabalhos de muita qualidade envolvendo artistas em feats inesperados e dando oportunidade para novos talentos. Vemos isso como um despertar de esperança para esses artistas que não recebem muito apoio e isso é o que motiva todos na Asfalto de continuar.

Ecologyk

K: Em entrevistas já vimos você falando que seus primeiros equipamentos foram um fone de Lan House da Clone e um notebook de 512MB, hoje você tem uma gravadora que trabalha com todos os níveis da produção oferecendo beats, composição, mixagem, masterização, direção de arte, fotografia e vídeo. Conta pra gente como a Asfalto influenciou no nível das suas produções e na sua forma de produzir?

E: Quando eu criei a Asfalto eu sabia que eu tava começando algo totalmente novo, sem relevância no mercado e eu ia ter que suar muito pra conquistar isso. Então foram muitos dias sem dormir, algumas sessões infinitas, estratégias de marketing trabalhando sempre meu nome atrelado a Asfalto Rec. Vendo meu nome sempre relacionado a uma empresa, isso também trouxe mais credibilidade além da qualidade dos trabalhos entregues, assim vamos crescendo e expandindo, tornando real o que eu sempre sonhei desde o início e isso é só o começo!

O Hip-Hop trouxe de volta a minha vontade de vencer

K: Eco, com 12 anos de estrada na produção musical e nos toca-discos, e três anos de Hip-Hop, como trabalhar com o Hip-Hop nacional agregou ao seu vasto repertório e afetou a sua forma de produzir?

E: Eu raramente tinha contato com outros artistas em estúdio quando eu era da cena do Eletrônico, mas quando entrei de fato pro Hip-Hop, isso foi o que mais mudou e afetou positivamente nos trabalhos. Peguei mais experiência em direção e gravação vocal, além da dinâmica de criação de beats junto com o artista no estúdio.

O Hip-Hop trouxe de volta minha vontade de vencer e todos da cena me abraçaram de uma forma que eu não imaginava, por isso sou grato de ter conquistado meu espaço e tento somar o máximo no corre de quem tá no começo também.

K: Vindo de uma carreira longa no meio eletrônico, quais as principais fontes e influências que você buscou quando começou a se aprofundar nas produções de Hip-Hop?

E: Até hoje ainda trago algumas influências que eu já tinha no eletrônico, que é o Skrillex e Troyboi, mas os produtores que mais me inspiro no Hip-Hop são o Wheezy, Nick Mira e o Pharrell.

Ecologyk

Correndo pela cena

K: Mano, depois de trazer uma chuva de singles e colaborações lançadas ao longo do ano, você terminou o caótico 2020 com o lançamento de uma nova mixtape “Protótipo, Vol.1”. Conta pra gente como foi o desenvolvimento desse trampo e quais desafios e adaptações você teve que enfrentar pra trazer uma mixtape que reúne tantos artistas, em um momento de pandemia?

E: Eu sou um viciado em conhecer artistas novos e fico muito feliz de pesquisar e encontrar talentos em ascensão e alguns até “escondidos”. Acompanho sempre a playlist “Descobertas da Semana” no Spotify, lá eles atualizam semanalmente com músicas de artistas que eu nunca escutei antes, aconselho sempre as pessoas a fazerem isso quando querem conhecer artistas novos. Também gosto de clicar nos recomendados mais interessantes do YouTube, os que me atraem pela thumb ou título.

No caso da mixtape Protótipo, a ideia surgiu depois de uma live que fiz no Instagram fazendo beat quando estávamos no início da quarentena. Convidei o Fabin que estava assistindo pra também participar da live, criar um verso e gravar durante a transmissão comigo no seu home studio. Isso me inspirou na ideia de criar um projeto maior e envolver só a nova geração do Trap, fazendo conexão entre alguns artistas que não se conheciam, de diferentes estados e movimentando mais a cena!

K: Em “Venturo”, seu primeiro álbum lançado em 2019, você já trouxe uma série de grandes nomes da cena, ao lado de revelações e artistas que estão na luta para fazer o seu corre virar na música. Em “Protótipo” você trouxe novamente essa variedade, como funciona essa sua dinâmica e relação com as escolhas dos MCs que vão ser incluídos nos seus projetos?

E: Tudo começa pelo conceito do projeto, depois a criação dos beats e aí então o estudo de possibilidades das participações. Aí vai depender dos artistas se identificarem também com o projeto e a disponibilidade para gravar. Eu gosto de unir artistas que não trabalharam juntos ainda. Não é regra para todos os projetos, mas faço isso com o intuito de sempre trazer algo inédito pro público.

Novidades e indicações by Ecologyk

K: Eco, a gente não pode perder essa oportunidade de tentar tirar de você alguma informação sobre os seus próximos projetos e lançamentos. Então diz aí mano, o que você pode adiantar pra gente já ficar na expectativa pra esse futuro próximo?

E: Como vocês sabem, meu projeto do momento é “Winner”, single lançado com Duzz, JayA Luuck e Lil Pinga, com um clipe 100% em desenho animado pelo raideno. Esse projeto é muito importante pra gente e estamos muito felizes já com o resultado do lançamento, quem ainda não assistiu, corre lá no canal da Asfalto Rec no YouTube!

Agora os próximos projetos, vamos voltar com o “KM” muito em breve, com uma estética nova de clipe em parceria com a XOKO e Iuri Stocco. E também meu EP de Trap como Ecologyk, ainda não sei se vão ser 4 ou 5 faixas, mas cada uma delas tem uma participação internacional e 3 nacionais. Isso é tudo que posso falar por enquanto hehe.

K: Mano, pra fechar esse papo, compartilha com a gente quais são os principais sons que estão batendo nos fones do Eco e nas caixas da Asfalto ultimamente?

E: Opa! Aí vai algumas:

Morray – Quicksand
UCLÃ – Raul Seixas
Ariana Grande – positions
Snavs – Cyan
Duquesa, Go Dassisti – Céu
Sam Smith – Diamonds

E: Valeu pelo convite e pelo espaço! Espero ter contribuído de alguma forma, obrigado!!!

Contribuiu demais Eco! Nós que agradecemos por esse papo firmeza, e pela visão passada sobre o universo das produções. Acompanhem todos os lançamentos do Ecologyk e da Asfalto Rec através das redes sociais e plataformas de streaming:

Ecologyk – Instagram, Twitter, Spotify, Deezer, Tidal;
Asfalto Rec – Instagram, Twitter, Spotify, YouTube, Deezer, Tidal.

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