Willsbife kalamidade
Arte por: @x1m.jpeg

WillsBife tá no beat? É hit!

"Ainda não chegou no nível de um produtor estourar no mesmo nível de um artista aqui no Brasil" - WillsBife

Cozinhando beats desde 2015, WillsBife é nome conhecido no Rap nacional desde 2017 quando assinou quatro faixas do premiado ELETROCARDIOGRAMA, da Flora Matos. Desde então é só progresso, e em 2020 Wills fechou o ano com a edição Deluxe do Febre Amarela no qual juntou um time de MCs de peso lançando mais 4 inéditas além de todos os instrumentais afirmando pra todos que se WillsBife tá no beat, é hit!

O corre do Beatmaker

KALAMIDADE: Em um vídeo pro Quadro em Branco você comentou sobre a desvalorização do beatmaker no Brasil, que diferente do que nós vemos nos EUA, acaba fazendo toda a produção musical da faixa. Sem falar no próprio mercado de beats, que desvaloriza o trampo do beatmaker. Você enxerga que mudou muita coisa pros beatmakers em geral?

WILLSBIFE: Então mano, esse vídeo do Quadro em Branco foi  um vídeo muito importante. Ele abriu os olhos de muitas pessoas que não enxergavam a parada, tá ligado? Não sei medir esse impacto mas uns dois meses depois eu comecei a ver artista colocando beatmaker como feat no Spotify, etc. Então tá mudando, tá mudando. Os caras tão começando a dar um pouquinho mais de valor mas ainda não chegou no nível de um produtor estourar no mesmo nível de um artista aqui no Brasil. Diferente do que acontece lá fora, por exemplo. Mas acho que mudou bastante pra melhor.

K: Aproveitando esse gancho da valorização, qual tua opinião sobre aquilo que o Matuê disse sobre preferir pagar um valor muito maior pro beatmaker do que creditar as músicas?

W: Isso é muito de negociação, tá ligado? Também acho que é questão do beatmaker saber o que é melhor pra ele a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, um cara que não tem nenhuma produção e recebe uma proposta igual essa, vão pagar uma puta grana pro cara mas não vai colocar o nome dele, lógico que ele vai aceitar. Só que eu acho que isso não é uma forma saudável, é uma parada muito egocentrista de achar que a música só aconteceu por que ele fez a parada, tá ligado? Então acho que não é muito bem por aí o caminho, mas eu também entendo o lado do Matuê e se ele tá pagando então ele pode fazer no formato que ele quiser.

Trajetória

K: Você tem ascendência coreana e família asiática é muito focada nessa parada de sucesso em carreiras “tradicionais”, tanto que eu falar que trabalho com mídia de Hip-Hop ainda gera um olhar torto. E pra você, como foi chegar e falar “vou largar tudo e virar trapstar”? 

W: Mano eu não virei e falei vou virar trapstar (risos) fazer tatuagem na cara (risos). Eu comecei a fazer beat em 2015 e eu tinha acabado de sair dessa parada da cozinha e pô, eu tive sim bastante resistência da minha mãe. Porque na minha casa sempre foi eu, minha mãe e minha irmã, tá ligado. E pô, ela achava que eu estava louco, ela achava que era aventura de jovem, mas aí eu fui insistindo e foi dando certo até chegar no ponto que eu estou hoje que eu sustento minhas paradas e ajudo no que dá, aí já tá mais suave. 

O Deluxe

K: Pro Podcast Mano você tinha dito que os últimos álbuns do Travis e do Kendrick tinham influenciado muito na criação dos beats pro Febre Amarela. Tiveram outras influências que te inspiraram agora? Como foi encaixar essas outras faixas e terminar de contar no Deluxe a história que você se propôs desde o Febre Amarela?

W: Do Febre Amarela pro Deluxe eu acho que eu mudei bastante, minha cabeça evoluiu e minha forma de ver as coisas mudou um pouco também. Então meio que tudo isso agregou também, tanto sonoramente nos beats quanto na escolha dos artistas, tá ligado. Então o Deluxe é uma parte mais despretensiosa, eu não fui tão crítico quanto no Febre Amarela. Ele foi uma parada pra eu continuar seguindo em frente, porque eu ainda sentia que o Febre Amarela não tava pronto, mas eu tinha a pressão de soltar. Então o Deluxe veio pra completar esse ciclo.

Parcerias

K: Falando na escolha dos artistas, e essa história de que o Froid escreveu a parte dele em “Desejos” em 10 minutos?

W: Mano, vocês não sabem na mão de quem já passou essa faixa! Era pra ter uns grandes de SP, de BH…mas voltando pra essa história do Froid, eu mandei a guia pra ele e aí ele falou “Pô, gostei pra caralho! Vou gravar”. E normalmente os caras demoram uma, duas semanas pra gravar… isso quando faz né (risos). Aí deu 10 minutos ele tinha me mandado o bagulho e eu fiquei pensando mano como assim será que ele já gravou? Aí quando eu fui ouvir já tava todas as vozes exportadas, foi o feat mais rápido que eu já recebi na minha vida

K: Como foi convencer o Don L a lançar “Por minha conta”? Eu vi que ele não queria lançar porque era uma letra muito antiga.

W: Eu tive que convencer o Don e isso não é fácil de fazer não. Convencer o Don L é uma coisa difícil viu? Porque essa música ele escreveu em 2014, eu acho. É uma música bem antiga pra ele, que ele gravou em outro beat, que não era nem meu, nem do Nave. Mas aí eu tinha esse beat guardado e tinha feito com o Nave; aí eu encaixei essa acapella e aí ficou bem mais foda. Eu coloquei aquele solinho de piano no final, entra toda uma atmosfera. 

K: Mas ele chegou a mudar a letra?

W: Não chegou a mudar a letra, mas nós retiramos vários cacos. O Don L é uma pessoa muito metódica, ele cola no estúdio e sabe exatamente o que ele quer, tá ligado? 

K: E quem deu mais trabalho nas gravações? 

W: Todo mundo tem seu tempo né. Mas o Yunk Vino deu trabalho, rs, demorou pra mandar a voz. A “Nada” foi a última música que eu fechei do Febre Amarela.

K: Mas a maioria das faixas do Febre Amarela já tava pronta faz tempo né?

W: Eu meio que já ficava mexendo toda hora nas faixas, sou perfeccionista nisso. Então eu fiquei trabalhando nelas durante 3 anos antes de lançar.

K: Como foi essa ideia de lançar os clipes do Deluxe como uma animação?

W: Eu queria fazer o clipe de todas, tá ligado? Mas como a gente tá numa pandemia eu escolhi fazer a parada num formato mais visual que casasse com o que eu me vejo como artista. Então, quis fazer nesse formato de desenho, porque eu sempre gostei bastante. Tanto que quero deixar um salve pros manos que fizeram a arte, o Nicolas Trindade, Pablo Roseno, Milena Gabriela e o Ogata que fez as animações.

Planos para 2021 – WillsBife na estrada

K: Wills quais seus planos para 2021? Você está pensando em reforçar seu canal na Twitch? Vários artistas e produtores começaram a usar a Twitch, como o Nill…vi que numa stream recente você soltou que tá pensando em fazer o Beats By Bife de algumas faixas do Deluxe.

W: Cara, o público da Twitch é um público que eu ainda não consegui decifrar completamente. É muito difícil, você tem que se dedicar muito tempo e dar um trampo. Mas pra 2021 eu quero lançar bastante singles, eu tenho 5 discos parados. Tenho disco com o O.R., com o Filipe Carti, com o Dalua, com o DNASTY. Bastante disco parado. Quero relançar os clipes do Deluxe e vir com bastante faixa nova também. Bastante produção. Tem o disco do Japa também.

K: E os clipes, vai se arriscar na produção?

W: Então meio que eu já dirijo meus clipes. Só não assino. Se for ver, desde “Sobe mais”, que é meu primeiro clipe eu meio que codirigia. Eu tenho essa brisa da parte do visual estar exatamente como eu imagino na música. Quando eu faço a música eu já imagino o visual na minha cabeça, tá ligado.

K: Você pretende num cenário pós-pandemia agitar uma turnê do Febre Amarela?

W: Sim, é uma coisa que eu quero muito fazer! Reunir os artistas do Deluxe, do Febre Amarela inteiro. Fazer um formatinho de show diferente. Quero fazer bastante show, tomara que a vacina chegue logo certo. Todo mundo imunizado pra voltar logo as aglomerações que eu odeio mas que precisamos (risos).

K: E, pra finalizar, queria pedir uma indicação do que tá escutando ultimamente e uma aposta que você como produtor vê como o próximo hype da cena.

W: O que eu tô ouvindo ultimamente é Jamiroquai e minhas apostas pra estourar esse ano são O.R. e Filipe Carti. Valeu!

K: Valeu, WillsBife! Até a próxima!

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