Ashira por Beatriz Shibuya
Ashira por Beatriz Shibuya

A totalidade de Ashira: tudo o que a artista pode ser

Entrevistamos a artista, que falou de sua trajetória, processos criativos, colaborações e do convite para participar da Soundfood Gang.

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Com uma formação e influência musical que vem de berço, Ashira resolveu se aventurar pelo mundo da música bem cedo. Aos 2 anos de idade já cantava na igreja, tempos depois postava covers de Erykah Badu em seu SoundCloud e assim brotava um dos mais talentosos e multifacetados talentos da cena.

Este foi o início de uma bela jornada que vem sendo construída de uma forma concreta desde 2015, quando a artista começou a produzir seus próprios beats e foi convidada pelo carioca BK para escrever e cantar o refrão da faixa “Quadros”, do clássico contemporâneo “Castelos & Ruínas”.

Desde então a cantora, compositora, produtora musical, diretora executiva e criativa, vem acumulando participações em trampos de nomes de peso como Febem, niLL e comandou a produção do EP “ROUFF”, das gêmeas Tasha e Tracie.

Mais do que muito competente, Ashira é uma artista muito sensível, que sabe transmitir suas vivências tanto em lírica quanto em suas melodias. Essas características somadas a sua incrível capacidade de trabalhar utilizando das mais diversas referências e elementos estéticos a colocam em um patamar elevado dentro do rap nacional.

A artista trocou uma ideia com o Kalamidade falando um pouco de si, do processo de criação durante a pandemia e do convite para participar da SoundFood Gang.

Confira abaixo:

Imagem: Reprodução / Videoclipe

Kalamidade: Quem é Ashira e como você se define como artista?

Ashira: Sou uma criadora que utiliza a música em suas diversas formas para expressar minhas ideias, seja num beat ou com um microfone.

K: Você cursou produção fonográfica, certo? Como o curso influenciou você na sua formação como artista?

A: Sim, cursei produção fonográfica e isso foi uma abertura de leque gigante na minha cabeça, por ter vindo do rap, minha visão se limitava ao estilo, depois de entrar na faculdade vi que era possível fundir estilos e criar outros infinitos. Foi algo que me fez saltar em questão de diversidade.

K: Ano passado você assinou a produção do EP “ROUFF”, das irmãs Tasha e Tracie, como surgiu a parceria de vocês e como foi trabalhar com elas?

A: “ROUFF” foi um trabalho muito especial pois o processo envolveu muita energia, pesquisa e trabalho. Conheci Tracie e Tasha 8 anos atrás frequentando o Sintonia e desde então mantemos contato. Comecei a produzir e um tempo depois elas me convidaram pra fazermos um trabalho juntas, o “ROUFF” foi meu primeiro trabalho de produção publicado, onde eu fiz as gravações de voz, instrumentais, edições e direção musical, além de cantar em alguns dos sons. Imaginamos o EP pra ser o pontapé inicial de ambas, algo único, já que foi também o primeiro delas, mas quem sabe role um Volume 2?

K: Qual sua visão em como a cena trata as produtoras e as demais minas que “atuam nos bastidores”?

A: Essa pergunta é um pouco exaustiva, já que nós mulheres sempre estamos respondendo ela e pouca coisa muda. Já sabemos o que acontece e como somos colocadas à prova constantemente, então minha melhor resposta é continuar fazendo meu trabalho evoluir, com foco em mais mulheres para que possamos ocupar cada vez mais espaços e falar mais sobre nossos feitos.

K: Esse ano você planejava lançar seu EP, mas acabou tendo sua produção interrompida devida a pandemia. Como tá sendo trabalhar durante o isolamento e o que é mais difícil para uma artista independente nesse período?

A: Durante o isolamento consegui me voltar para mim mesma, prestar mais atenção no meu interior e processos. Tenho passado mais tempo criando, mas o mais difícil é não poder o contato frequente com outros criadores, pois uma coisa que me abastece muito é compartilhar e criar em conjunto, tenho sentido muita falta disso.

K: Agora você faz parte do time da Soundfood Gang, como surgiu esse convite para trabalhar com o coletivo?

A: O convite para me juntar a Soundfood veio de forma natural depois de me aproximar do niLL e colaborar em Dorothy. Me identifico muito com as ideias do selo, assim como o pessoal que me abraçou desde que os conheci, então resultou em eu entrar pra Gang hahaha.

K: E como vão ser as participações nos trabalhos da Soundfood? Já tem expectativas de como vai rolar esse trampo?

A: Já temos novidades por vir,  trabalhamos em algumas coisas juntos que saem ainda esse ano.

K: Quais são os planos para o futuro e para quem sabe, um pós-pandemia?

A: Ano que vem tem meu primeiro álbum!

Nós, do Kalamidade, esperamos ansiosamente.

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